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Blog da Redação & Oficina de Pautas

EUA: a operação militar secreta do general Petraeus

O general David Patraeus, chefe do Comando Central dos Exército dos Estados Unidos, teria desencadeado, em setembro passado, uma vasta operação secreta de guerra, com desdobramentos no Oriente Médio, Ásia Central e Chifre da África. A diretiva (“Joint Unconventional Warfare Task Force Execute Order”) que lançou a operação foi revelada nesta terça-feira (25/5)  pelo New York Times e é analisada num post de Robert Dreyfuss, em seu blog no site do semanário The Nation.

As operações visam, essencialmente, de espionagem e estabelecimento de laços militares com outras forças militares da região. Incluiriam o início de observações no Irã, visando possíveis bombardeios. Não se sabe até que ponto o presidente Obama foi informado. A iniciativa pode provocar um enorme aprofundamento da presença militar dos EUA nas regiões visadas, considera Dreyfuss. Além disso, extrapolam em muito as atribuições naturais de Petraeus. Por isso, propõe o artigo, Obama tem a obrigação de demitir o comandante.

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As duas críticas à vida sintética

Além de provocar euforia, entre os que o desenvolvimento da ciência é sempre um sinal de avanço, o anúncio da criação da primeira célula a partir de DNA fabricado pelo homem gerou dois tipos de crítica. Conhecê-las será muito importante para o debate futuro sobre o tema.

De um lado, cientistas como a uruguaia Silvia Ribeiro, da Ong ETC, adotam a postura conhecida como precaucionista. Preocupam-se, em especial em evitar que as novas tecnologias sejam aplicadas até que comprove serem inofensivas à natureza. É uma posição semelhante à adotada diante dos transgênicos.

Outros analistas — como o britânico John Sulston, Nobel de Medicina em 2002 — preferem saudar as possibilidades abertas pela nova técnica, e colocar foco no não-patenteamento dos seres criados artificialmente. A eventual criação estável de seres vivos pela humanidade terá imenso impacto na própria vida de nossa espécie e planeta, sugere o argumento. É preciso assegurar, portanto, que as descobertas não sejam apropriadas por um pequeno grupo de empresas.

Veja, em nosso dossiê, material sobre os dois pontos de vista. Inclusive, o surpreendente editorial de The Economist, que defende, contra as ameaças possivelmente representadas pela vida artificial, a abertura das tecnologias — citando como exemplo o sucesso, contra vírus de computador, do trabalho colaborativo das comunidades de software livre.

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A Europa contra os genéricos

O Tribunal Permanente dos Povos (TPP), um fórum da sociedade civil, condenou no início de maio a União Europeia (UE), por reter recorrentemente cargas de medicamentos genéricos destinados a países da África. As retenções são parte das políticas ultra-conservadoras da UE em defesa de velhas políticas de defesa da “propriedade intelectual”. Os remédios são genéricos, em muitos casos drogas anti-Aids. São legais no país de origem (a Índia) e nos de destino. Mas diversos portos e aeroportos europeus, por onde transitam, os confiscam, a pedido de empresas farmacêuticas transnacionais.

A sessão do TPP que condenou a UE ocorreu em Madri, entre 12 e 14 de maio, em paralelo à cúpula dos chefes de Estado da Europa e América Latina. A denúncia contra o confisco de medicamentos foi feita, entre outras entidades, pela ABIA — Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS. Mais informações em nosso dossiê e na sentença do tribunal.

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Para ler na quarta-feira

> Leonardo Boff e a nova diplomacia de Lula
Empolgado com a iniciativa do Brasil junto ao Irã, Boff afirma: “O paradigma novo, representado por Lula, assume a singularidade do atual momento histórico. Mudou nossa percepção de fundo: somos todos interdependentes, habitando juntos na mesma Casa Comum, a Terra”.

> Moniz Bandeira vê EUA paralisados
Para o historiador brasileiro, entrevistado pelo site Onda Digital, as dificuldades de Washington em relação ao Irã expressam um problema mais profundo: “os EUA têm tropas em todas as regiões do mundo, mas suas Forças Armadas estão esgotadas e enfrentam dificuldades para recrutamento de soldados”.

> Folha: o futuro dos jornais é este?
Alex Primo analisa em profundidade, em seu excelente blog sobre mídias, o “novo” jornal. Sua conclusão: “A Folha ontem apresentou apenas mais uma reforma. Fez mais que obrigação. Agora, se ela acha que isso é o jornal do futuro, realmente os jornais impressos não tem salvação”.

> O Congo também é aqui
Cada vez mais ausentes nos jornais tradicionais, reportagem e jornalismo literário são as especialidade de Síndia Santos. No link, um retrato de como vivem os imigrantes congoleses no Rio.

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Que projeto para as Olimpíadas?

Lançada na última semana, uma carta aberta assinada por associações de moradores, entidades profissionais, estudantis, sindicatos e ongs fluminenses está propondo abrir um debate crucial: que projeto têm o Estado (a sociedade brasileira) para sediar as Olimpíadas de 2016 — e a Copa do Mundo de 2014?

A escolha do Brasil como palco dos dois eventos foi um acontecimento marcante e benvindo. O país receberá milhares de visitantes estrangeiros e será acompanhado, sem exagero, por bilhões. Mas que imagem transmitirá ao mundo?

Entidades como a Fifa e os Comitês Olímpicos fazem, aos países que recepcionam grandes competições, um amplo elenco de exigências. Parte delas tem a ver com a mobilidade e segurança dos assistentes estrangeiros. Mas a mercantilização crescente do esporte exerce um outro tipo de pressão. Busca-se maquiar as cidades-sedes de jogos: homogenizando-as, descaracterizando-as culturalmente, transformando-as em símbolos insípidos de “modernidade” e “eficiência”. O Rio viveu as consequências nos Jogos Panamericanos de 2007. Áreas “nobres” da cidade foram “embelezadas” artificialmente. A população das favelas foi mantida distante do centro e da Zona Sul, numa operação que mobiizou o próprio exército.

O documento das entidades fluminenses sugere que o Brasil é grande demais para aceitar este tipo de falsificação. O Estado investirá imensas somas na preparação das maiores metrópoles para os jogos de 2014 e 2016. Mas falta um debate sobre o sentido destas obras. Os mesmos recursos empregados para abrir uma grande avenida permitem construir ou ampliar uma linha de trem ou metrô. As vilas olímpicas que abrigam os atletas podem, depois dos jogos, tanto alimentar a fogueira da especulação imobiliária quanto abrigar a população sem-teto. O conjunto das obras produz segregação ou redução das desigualdades.

Uma das vantagens do documento fluminense é ir além da denúncia. Ele esboça um primeiro conjunto de propostas, relacionadas principalmente a habitação e mobilidade urbana. O elenco precisa, é claro, ser melhorado, mas a iniciativa abre, entre a sociedade, um debate que de outra forma ficaria restrito à tecnocracia.

Pauta:

> Uma reportagem abrangente sobre o estado dos preparativos para a Copa do Mundo e Olimpíadas. Dados gerais. Somas envolvidas. Tipos principais de instalações e serviços previstos (avenidas? transporte público? estádios? vilas olímpicas? segurança?). Quem banca as obras (Estado? Iniciativa privada? Em que proporções?). Alguns exemplos de intervenções urbanas previstas em metrópoles brasileiras. De que forma se fará o debate sobre o que construir: o papel das instituições brasileiras e da FIFA-COI; os espaços para intervenção da sociedade civil. E, principalmente, como os movimentos cidadãos estão se mobilizando para intervir no debate

Fontes:

> Ministério do Esporte (www.esporte.gov.br), onde há subsites específicos para a Copa e Olimpíadas. O ministro, Orlando Silva, foi presidente da UNE e é de acesso relativamente fácil.
> O Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Construtiva (Sinaenco) desenvolve campanha pelo planejamento das intervenções nas metrópoles. Criou inclusive um subsite específico sobre a Copa. Detalhe curioso: o site terá de trocar de nome, nas próximas semanas, porque a FIFA exigiu controle de um enorme elenco de domínios internet que incluem a palavra “copa”.
> As entidades que assinam a carta aberta são fontes indispensáveis. Como são muitas, é preciso descobrir quais articulam a iniciativa.

Dossiê:
> Um dossiê colaborativo, para reunir material sobre o tema, está aberto aqui. Contém, por enquanto, apenas a carta das entidades. Para contribuir, escreva para antonio@outraspalavras.net

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Metrô-SP: inauguração e mistério na Linha Amarela

A mídia saúda com foguetório, hoje, a inauguração do primeiro trecho da Linha Amarela do metrô de São Paulo. Pencas de parágrafos são dedicadas a suas características de alta tecnologia — entre elas, os trens sem condutor.

A obra é, de fato, importantíssima; e a expansão do transporte coletivo sobre trilhos, em São Paulo, real. Mas algo intriga, na cobertura: a virtual ausência de investigação sobre o importante atraso na obra — e, principalmente, as causas que o provocaram.

O cronograma divulgado com alarde pelo governo do Estado, no final do ano passado previa que o primeiro trecho (entre as estações Paulista e Faria Lima) seria aberto ao público em 31 de março. Até o final do ano, estariam entregues mais quatro estações-chaves — as que fazem a interligação entre a linha Amarela e todas as demais do metrô. Estavam incluídas Luz (acesso à linha Azul e aos trens da CPTM), República (acesso à linha Vermelha), Pinheiros (CPTM) e Butantã. As demais estações ficariam para 2012.

Tudo atrasou. Dois meses, no caso de Paulista e Faria Lima (que começam a funcionar hoje em horário reduzido). Cerca de um ano, para Luz, República, Pinheiros e Butantã (há informações contraditórias sobre a data de inauguração). Dois anos, para as demais (cuja entrada em operação está agora prevista para 2014.

Fosse outro o partido no governo em São Paulo, e a mídia faria um enorme escândalo. Porém, o mais grave é ausência de informações sobre os motivos de tantos atrasos. A linha Amarela tornou-se conhecida por um desmoronamento no canteiro de obras da estação Pinheiros, que provocou (em 2007) sete mortos e o surgimento de uma cratera com 80 metros de diâmetro. Ao contrário das demais, será operada por um consórcio de construtoras privadas — que têm autonomia praticamente plena, nos trabalhos de construção. Nos últimos anos, diversas críticas sugeriram que tal modelo favorece o relaxamento das normas de segurança, em favor de economia financeira.

Pauta:

Um bom trabalho jornalístico sobre o caso consistiria simplesmente em fazer a investigação o que a mídia tradicional se recusa — certamente por temer os reflexos eleitorais da apuração. Qual é a verdadeira causa do atraso? Por que o cronograma foi alterado bruscamente (ainda no início do ano, publicidade em todas as estações do metrô mantinha os prazos anteriores)? Quais os eventuais riscos envolvidos? Qual o novo cronograma para a Linha Amarela e os demais projetos de expansão do metrô de São Paulo.

Fontes:

> A fonte óbvia é a Companhia do Metrô: http://www.metro.sp.gov.br
> O Sindicato dos Metroviários teve, no passado, atuação importante no acompanhamento dos serviços prestados à população: http://www.metroviarios-sp.org.br

> O Sindicato dos Engenheiros também ensaia alguns passos nesse rumo: http://www.metroviarios-sp.org.br. A coordenadora do setor de Imprensa, Rita Casaro, é grande apoiadora da mídia livre: (11) 3129.8692
> A Associação Nacional dos Transportes Públicos é uma defensora histórica do metrô e trens: http://www.antp.org.br

Dossiê
:
> Um primeiro dossiê de apuração sobre o tema está aqui. Reúne material do Estadão de hoje (exemplo de cobertura acritica), nota do Sindicato dos Engenheiros e excelente verbete da Wikipedia sobre a linha Amarela.
> Para colaborar com o dossiê (incluindo material), escreva para antonio@outraspalavras.net

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Para ler na terça-feira

>”O Irã que eu conheci

A brasileira Sonia Bonzi, antiga colaboradora da revista NovaE, relata, sem preconceitos, sua experiência como moradora em Teerã, e viajante pelo país. Ela conta como sua visão inicial, construída a partir dos relatos da mídia, cedeu rapidamente ao desejo de conhecer o outro.

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Outros mapas, outros mundos

O ciberativismo começa a explorar um novo terreno: como o Google Maps e outros sistemas são usados coletivamente para tornar visíveis (e transformar) realidades que a mídia menospreza

Por Sarita Bastos

Tinha uma pedra no meio do caminho. Onde? Em qual latitude? Em qual longitude? Se Carlos Drumond de Andrade tivesse identificado em algum mapa o local exato dessa pedra, talvez evitássemos essa trilha e seguiríamos outras rotas. Mas o território do poeta era sentimental, pessoal, verbal e impossível de rastrear por satélite.

E no entanto, o mundo está cheio de pedras, buracos e campos minados sem nenhuma poesia. Muitas pessoas seguem sem parar para olhar, analisar e limpar o caminho. Outras, apesar das “retinas tão fatigadas”, observam o território com atenção e exibem para o mundo as coordenadas geográficas do problema.

A criação de mapas online, interativos e com a possibilidade de edição colaborativa agrega valor visual e informativo aos dados numéricos sobre diversos temas. Internautas usam o Google Maps e outros serviços de criação de mapas online para criar mashups reunindo dados, vídeos e fotos de diferentes fontes.

Apresentamos alguns exemplos de mapas customizados, informativos e socialmente necessários:

Mapa das inundações no Norte e Nordeste:
Mapeamento das informações sobre os municípios do Norte e Nordeste mais atingidos pelas enchentes dos meses de abril e maio de 2009. A área que concentra mais marcadores evidencia os estados mais afetados – Maranhão, Piauí e Ceará. O mapa, editado coletivamente, ajuda na mobilização de doações para as vítimas.

Mapa das chuvas. Clique na imagem e acesse pelo Goole Maps.
Mapa das chuvas. Clique na imagem e acesse pelo Goole Maps.

India – Eleições 2009
As eleições parlamentares na Índia foram monitoradas pelo site Vote Report India (votereport.in). Os usuários informavam casos de violações do código eleitoral por meio de mensagens SMS, e-mail ou no próprio site. Todos os dados podem ser visualizado em um mapa interativo.

Vote Report. Clique na imagem para acessar o site.
Vote Report. Clique na imagem para acessar o site.


Mapa coletivo da gripe H1N1

Mapeamento do avanço da epidemia da gripe H1N1, que ficou popularmente conhecida como gripe suína. Por meio do mapa, rapidamente identificamos as principais regiões de contágio.

Mapa coletivo de Influenza H1N1. Clique para acessar o site.
Mapa coletivo de Influenza H1N1. Clique para acessar o site.

Zimbábue: Eleições 2008
O mapa da violência política que marcou as eleições de 2008 no Zimbábue impressiona. A vitória de Robert Mugabe ocorreu num processo de intimidação e assassinato de opositores. O mapeamento faz parte de uma campanha por liberdade e democracia no site Sokwanele.

Mapa da violência nas eleições do Zimbábue. Clique na imagem para acessar o site.
Mapa da violência nas eleições do Zimbábue. Clique na imagem para acessar o site.

Buracos de Fortaleza
O mapeamento colaborativo dos buracos nas ruas da capital do Ceará foi idealizado por blogueiros cearenses. A mobilização foi feita no Twitter pela tag #buracosfortaleza. O movimento gerou pauta na imprensa e pressionou a Prefeitura municipal a iniciar operação tapa-buracos.

Mapa #buracosfortaleza. Clique na imagem e acesse pelo Goole Maps
Mapa #buracosfortaleza. Clique na imagem e acesse pelo Goole Maps

WikiCrimes
O site WikiCrimes permite o mapeamento de crimes em todas as regiões do Brasil. A atualização dos dados é colaborativa, cada usuário pode realizar notificações. WikiCrimes foi concebido por Vasco Furtado, professor titular da Universidade de Fortaleza.

WikiCrimes. Clique na imagem para acessar o site

WikiCrimes. Clique na imagem para acessar o site

Os links abaixo apresentam dicas de como construir seu próprio mapa:
Tutorial do Google Earth solidário
Dicas de um fuçador

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Tecnologias verdes: a nova fronteira do Conhecimento Livre

Evitar a catástrofe climática é mais importante que preservar os lucros das transnacionais, sustenta o governo brasileiro, na ONU.. Mas há quem lute pelo contrário…

A batalha pela garantia da livre circulação dos conhecimentos está prestes a entrar num novo terreno. Artigo publicado ontem (1/6) pelo cientista político norte-americano Mark Weisbrot, no TheGuardian (leia em nosso clipe, ou em tradução automática), revela que o Brasil, junto com Índia e China, pedirá à ONU que autorize o licenciamento, sem pagamento de royalties, das tecnologias verdes. A medida sofre oposição de um cartel de transnacionais liderado por General Electric, Microsoft e Sunrise Solar. Extremamente reveladora, a disputa pode provocar, também, um saudável conflito entre as Nações Unidas e a Organização Mundial do Comércio (OMC).

O pano de fundo da polêmica, conta Weisbrot, são as negociações em torno do acordo internacional que sucederá o Protocolo de Kioto. Para que seja bem-sucedido, o novo esforço de reduzição das emissões de gases do efeito-estufa deve cobrar medidas anti-poluidoras também dos países do Sul do planeta, poupados até agora. Parece justificado. A China superou os Estados Unidos e se tornou, no ano passado, o país que mais contribui para o aquecimento global. O Brasil, embora bem atrás, é responsável pela vergonhosa devastação da floresta amazônica, quase sempre na forma de queimadas.

Em conjunto com a Índia, os governos dos dois países estão reivindicando uma contrapartida, sempre segundo Weisbrot. Aceitam abrir mão da imunidade que reivindicavam até há pouco. Mas querem que a ONU (onde se dão as negociações sobre redução das emissões) os autorize a utilizar, sem pagar royalties, tecnologias que tornam possível emitir menos. Servem-se de um precedente: a decisão da OMC que permitiu, em 2001, a produção de medicamentos genéricos em caso de emergência sanitária.

A reação vem a galope. Ontem mesmo, revelou o artigo, um cartel de grandes empresas lançaria, em defesa da propriedade intelecutal sobre o verde, uma coalizão denominada Aliança pela Inovação, Desenvolvimento e Emprego. A sigla do grupo é Idea (de Innovation, Development and Emplyment Alliance), o que disparou a ironia de Weisbrot: “É preciso admirar a pegada orwelliana dos consultores de marketing dessa gente”. O objetivo central da “Idea” é evitar que a ONU reivindique autoridade sobre o tema. As grandes corporações sempre preferiram a OMC, muito mais sensível à ideologia do “livre” comércio que aos direitos humanos.

Numa época em que a produção de conhecimento deslocou-se para o centro da economia, a atitude de Brasil, China e Índia é bem-vinda e merece apoio. Inclusive porque contribui para isolar, no plano interno, os que querem restringir a circulação de outras formas de saber, tão importantes quanto as tecnologias verdes…

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Os estertores da GM e a inércia social

Acima do esplendor, a tempestade

Acima do esplendor, a tempestade

Injeção de 60 bilhões de dólares em empresa sem futuro, atuando num setor que produz devastação, ajuda a enxergar um dos grandes obstáculos à existência de sociedades não-alienadas

Num artigo melancólico, publicado ontem no Financial Times e reproduzido hoje na Folha (leia no clip de hoje), Robert Reich, ex-secrerário do Trabalho dos EUA, analisa a estatização da General Motors (GM) pelos governos dos EUA e Canadá, revelando que ela era ao mesmo tempo desastrosa e inevitável.

Em sua tentativa desesperada de salvar a empresa, conta Reich, Washington injetará nela US$ 50 bi; Toronto, mais US$ 9,5 bi. Juntos, os dois Estados passarão a deter 72,5% do capital da GM, tendo como sócio o sindicato UAW (17,5% das ações). Mas o que à primeira vista seria o controle de uma mega-empresa pela sociedade e seus assalariados tem sentido fúnebre. Os governos dos EUA e Canadá declaram que querem revender a empresa assim que possível. A reestruturação, que começará imediatamente, vai convertê-la, na melhor das hipóteses, numa pálida sombra do que foi. A GM fechará doze fábricas, em seu país de origem. Abrirá mão de sua unidade européia (a Opel, na Alemanha). Não se sabe se manterá as posições na América Latina (inclusive Brasil) e Ásia. Venderá ou abandonará quatro de suas marcas. Demitirá ao menos 21 mil empregados, e reduzirá direitos trabalhistas dos que permanecerem. Espera-se que, após este radical enxugamento, passe a responder por não mais de 20% das vendas de automóveis nos EUA — contra mais de 50%, há cerca de três décadas.

A presença estatal em sua direção, explica Reich, infelizmente não levará a GM a produzir uma nova geração carros verdes —  já viáveis, do ponto de vista tecnológico. Persiste, no Congresso e no governo, a opinião de que não cabe à sociedade “dizer à indústria que automóveis produzir”. E, ainda que o enxugamento seja bem-sucedido, (muitos analistas avaliam que a GM sucumbirá antes disso), ninguém aposta que os Tesouros dos EUA e do Canadá ficarão próximos de recuperar o que estão investindo agora, ao revender a empresa.

Haveria, prossegue o ex-secretário, diversas maneiras de empregar melhor os US$ 60 bilhões. Eles poderiam estimular, por exemplo, a ativação de setores mais limpos e promissores na região do meio-oeste norte-americano, onde se concentra a indústria automobilística em crise. Ou ser investidos em pesquisa e geração de energias renováveis ou transporte público — igualmente capazes de gerar ocupações e atividade econômica. Parte dos recursos financiaria medidas paliativas e provisórias, como treinamento dos demitidos e seguro-desemprego. Se há alternativas tão mais atraentes a longo prazo, de quem é, então, a culpa por não serem adotadas? Do presidente Obama?

CONSERVADORISMO E ALTERNATIVAS: O artigo de Reich tem o mérito de buscar uma explicação mais profunda. “Os políticos não ousam falar em reestruturação industrial porque o público não quer ouvir esta conversa”, diz o ex-secretário. Há um sentimento geral de que a injeção de dinheiro na empresa moribunda é desperdício. Mas prevalece, acima dele, a inércia social: a dor da mudança e o medo das incertezas e desconhecidos necessariamente associados a ela.

As centenas de milhares de trabalhadores da GM que acreditam conservar seus empregos (ao menos por enquanto) preferem não olhar para o futuro sombrio da empresa, nem para os resultados ambientais de sua atividade. As cidades onde há fábricas da companhia também não querem perdê-las, se isso significar desemprego, marginalização, queda do dinamismo econômico. Embora tenha surgido uma consciência ambiental e social planetária, um enorme obstáculo permanece no caminho. Como transformar este sentimento em ação, se a grande maioria dos seres humanos precisa comprar sua vida todos os dias — e é obrigada, para tanto, a vender seu trabalho, nas condições que for possível? Como pedir a alguém que deixe o emprego numa fábrica de armas, ou numa montadora de automóveis, sem oferecer uma forma alternativa de participação no conjunto das riquezas produzidas pela sociedade?

O desperdício de 60 bilhões de dólares na GM pode ser, nesse sentido, um alerta necessário. Ele ressalta a importância de construir, além da crítica às sociedades governadas pelos mercados, respostas positivas e anti-sistêmicas. No caso da crise, a denúncia das montanhas de dinheiro despejadas pelos Estados em favor do sistema financeiro, ou de empresas como a GM, é sempre bem-vinda — mas muito insuficiente.

O passo novo estaria em ressaltar, por exemplo, que em um ano de crise os Estados dispenderam cerca de 3 trilhões de dólares para socorrer bancos quebrados. E em propor que ao menos a mesma soma seja empregada para assegurar, a todos os habitantes do planeta, uma renda básica universal.Significaria, na ponta do lápis, assegurar 1,17 dólares a cada um dos quase 7 bilhões de seres humanos. Permitiria dobrar os rendimentos de 1 bilhão de pessoas  (que sobrevivem com menos de 1 dólar por dia) e elevar em 50% o poder aquisitivo de 2,7 bilhões (que ganham menos de 2 dólares diários).

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