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Blog da Redação & Oficina de Pautas

Os planos de Funes para El Salvador

Em entrevista à New America Media, o novo presidente defende a recuperação do Estado e redução das desigualdades para amenizar problemas centrais como imigração e violência

El Salvador tornou-se, domingo, ao eleger o jornalista salvadorenho Maurício Funes, o mais novo país latino-americano à esquerda. Seu partido, Frente Farabundo Martí Frente Nacional de Libertação (FMLN), é presente nas lutas sociais desde os anos 30, entre governos que se opõe em diferentes graus ao domínio secular das elites.

Funes, antigo correspondente da CNN, tem linha moderada. Entrou no partido em 2008. Seu vice, Salvador Sanchez, foi candidato anteriormente e é do grupo dos socialistas revolucionários, ala mais radical do partido.

A disputa foi intensa, foram 51,2% votos contra 47%. A oposição usou o “perigo vermelho” como arma de campanha. O slogan “Eu não vou entregar meu país”, de Rodrigo Ávila, do Arena, alegava riscos do “chavismo”. Não faltaram acusações, com respaldo da mídia conservadora. De acordo com o grupo de pesquisas Funde, o Arena gastou quatro vezes mais em publicidade que o FMLN.

Além disso, o Arena tentou persuadir dois outros candidados a desistir em seu favor, de acordo com a revista The Economist.

O desafio de Funes será imenso; receberá um Estado extremamente empobrecido, numa conjuntura adversa. A estreita relação econômica com os Estados Unidos torna o país ainda mais vulnerável à crise financeira global.

Nos últimos trinta anos, quase um quarto dos salvadorenhos imigraram em busca de trabalho e as remessas estrangeiras correspondem a 17% do PIB nacional. Os investimentos estrangeiros significavam 3%, em 2005.

Em entrevista concedida à New America Media, o presidente-eleito expôs seus planos para o novo governo. (Veja o vídeo)

“Vamos mudar nossa forma de fazer política, interromper uma economia que dá privilégios aos privilegiados”. “Colocaremos o governo e a estrutura do Estado a serviço do povo salvadorenho – em sua totalidade – mas, fundamentalmente, da grande maioria oprimida e excluída do desenvolvimento social e econômico do país. Não só nos últimos vinte anos, mas há mais de 200 essas pessoas não tiveram a possibilidade de participar das políticas públicas. O governo que vou criar vai dar a eles o papel de protagonistas que nunca tiveram.”

Ao mesmo tempo, procurou acenar para os EUA e para cerca de 1.5 milhão de salvadorenhos que vivem no país, suas perspectivas:

“O fato de buscarmos reconstruir as instituições democráticas – dando força à Constituição e fazendo de El Salvador um Estado democrático, que respeita o vigor da lei – é a melhor garantia para os Estados Unidos de que vamos reduzir o fluxo de imigração”.

Sobre o radicalismo de esquerda, foi claro: “A primeira mensagem que gostaria de mandar a Obama é que não buscarei alianças ou acordos com nenhum chefe de Estado da parte sul do continente que possa estragar minha relação com os Estados Unidos”.

Em 2006, El Salvador obteve o maior índice de homicídios do mundo, segundo estatísticas oficiais (ONU). A violência urbana permanece alarmante; cerca de 40% vive abaixo do nível de pobreza. Parte da esfera geopolítica norte-americana na América Central, a presença militar transformou o país em teatro da Guerra Fria. Mais tarde, o conflito culminou em uma guerra civil, que foi somente resolvida em 1992.

O primeiro grande levante das guerrilhas no país aconteceu em 32. Foi organizado por indígenas ruralistas, em cultura de café. A reação dizimou dezenas de guerrilheiros em um episódio que ficou conhecido como La Matanza.

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Apenas na velocidade dos dedos

Integral, vitalícia, ou outro nome que ganhe, a macrobiótica mantém-se presente no cotidiano das grandes cidades brasileiras há mais de 50 anos

balancaO senhor sentado ao meu lado mastiga cuidadosa e reflexivamente sua porção de arroz integral. Utiliza-se do rachi e parece mesmo imperturbável diante da comida lentamente deglutida. Algumas crianças pedem pão integral à mãe; no salão, os comensais agradam-se da frase e, no geral, o ambiente é tranquilo e soa familiar.

Espera.

É suposto que tal cena não se daria em alguma loja de conveniência, lanchonete de supermercado ou balcão de comida rápida espalhados pelo mundo. Verdade. O restaurante onde clientes se cumprimentam e, sem pressa, os serventes desempenham suas funções, está no Bairro da Liberdade, em São Paulo, e oferece alimentação macrobiótica sob a atenção do Professor Tomio Kikuchi.

Há mais de 50 anos, Kikuchi introduziu o conhecimento sobre a dieta macrô no País. Além da alimentação do corpo, a mente e o espírito são levados em conta em sua proposta para o humano. Autor de livros na área da educação, a Escola de Nutrição Satori criada por si já fez muitos discípulos e alimenta até Gilberto Gil em suas andanças pelo Recife.

Pergunto pelo professor ao atendente, que também cuida da pequena mercearia. “Ele mora aqui perto. Já veio hoje. Vem todo dia”.

Atualmente, disse o mestre em entrevista ao UOL, prefere o termo “auto-educação vitalícia” à “macrobiótica”. Alimentação Integral e Ecológica são nomes que também vem sendo empregados.

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Crise do software proprietário e o crescimento do Pinguim

Pesquisa revela: 49% dos entrevistados esperam o Linux seja a principal plataforma de servidor nos próximos cinco anos

Enquanto os donos do mundo do software sofrem com a recessão, o código aberto emerge e é adotado por cada vez mais pessoas. Segundo pesquisa realizada em fevereiro pela IDC com executivos de tecnologia da informação, 65% dos 330 entrevistados pretendem ampliar o uso de Linux em 10% ou mais em 2009.

Para os pesquisadores, tal aceleração é resultado de uma forte redução de custos e interoperabilidade com Windows. “Além disso o Linux é distribuído gratuitamente e o suporte técnico – da Red Hat, Novell e outros fornecedores – é contratado via assinatura anual”, informa o site PSL -Brasil.

De acordo com a pesquisa, outra razão do crescimento do Linux é a influência de mercados emergentes onde o Windows ainda não domina os usuários finais.

Download do Linuxbaixe aqui

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Os insurretos do século 21: a I Insurreição Pirata

“Se você tem uma maçã e eu tenho uma maçã e nós trocamos as maçãs, então você e eu ainda teremos uma maçã. Mas se você tem uma idéia e eu tenho uma idéia e nós trocamos essas idéias, então cada um de nós terá duas idéias” (Bernard Shaw).

Essa é a lógica do compartilhamento. Idéias não são bens materiais. E isso pauta a I Insurreição Pirata que acontecerá na ONG Ação Educativa nos próximos dias 28 e 29 de março. O evento é organizado por ativistas da cybercultura e pessoas defensoras do conhecimento livre, para a formação, também no Brasil, de uma agremiação política que combata o copyright – o Partido Pirata.

Explico. Uma insurreição “Pirata” contra os abusos da indústria copyright. E contra a criminalização do compartilhamento em rede. Se baixar, subir, compartilhar músicas, vídeos, textos, fotos, cachorros e papagaios é crime, então somos todos criminosos. No final das contas, somos todos piratas?

Sérgio Amadeu, ativista do software livre, é enfático: “Piratas são eles. Não estamos a procura do ouro!”

Para Amadeu, a metáfora pirataria é péssima para se referir a bens compartilhados. O termo pirata é ambíguo, nos remete à idéia de roubo. E diga-se de passagem, compartilhamento e roubo são coisas bem distintas e distantes. E é com o intuito, de pelear contra todo o obscurantismo provocado, que a I Insurreição debaterá temas, em formato de desconferências, relacionados à livre circulação de informações.

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Nazismo ao vivo e a cores

Fotos coloridas do Terceiro Reich são disponibilizadas na internet

nazis

A rede social Café História revelou, no artigo “As cores do Nazismo”, que Hitler e os principais líderes nazistas não foram fotografados somente em preto e branco. Os ‘cliques’ coloridos eram raríssimos na época, mas existem. Mas donde brotaram tais fotos?

Segundo o artigo, elas pertencem ao ao arquivo privado da revista americana LIFE. Caiu na rede, é para se mostrar.

E apesar do estranhamento que causa ver que Hitler e seus carrascos eram pessoas coloridas, vale a pena dar uma conferida.

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E se preconceito virar crime?

Ministério Público Federal pede a condenação de emissoras de TV que usam concessão pública para discriminar religiões afrobrasileiras

A intolerância religiosa e o desrespeito às tradições afrobrasileiras levaram o Ministério Público Federal (MPF) a impetrar uma ação civil pública, com pedido de liminar, para barrar a exibição dos programas que ofendam e desmoralizem a religião afro. A ação foi ajuizada no último dia 5 de março e aguarda apreciação do juíz. O descumprimento da decisão judicial pelas TVs poderá implicar multa diária de R$10 mil.

A procuradora Regional dos Direitos do Cidadão, Adriana da Silva Fernandes, autora da ação, informou que o pedido final de condenação feita pelo MPF será uma indenização por danos morais tanto aos seguidores de toda a diversidade de religiões afros quanto à sociedade brasileira. “O abuso praticado pelas emissoras contraria a dignidade da pessoa humana, bem como os próprios objetivos de construção de uma sociedade livre, justa, sem preconceitos de origem, raça, cor, sexo, idade e quaisquer formas de discriminação”. O valor estipulado é de R$ 13,6 milhões para a Record, e R$ 2,4 milhões para a Gazeta. Isso corresponde a somente 1% do faturamento das emissoras em questão. Segundo informações do MPF, a soma será revertida para o Fundo de Defesa dos Direitos Humanos.

A ação da procuradora é resposta à insistência das duas emissoras em ridicularizar as fés ligadas à cultura negra. Entre os programas veiculados por Record e Gazeta, em espaços vendidos à Igreja Universal do Reino de Deus, estão “O Desafio da Cruz” (Gazeta), “Ponto de Fé” e “Sessão de Descarrego” (Record). O monitoramento dos mesmos, feito pela Anatel a pedido do Ministério Público, apurou que diversas vezes foram utilizadas expressões como “maldição espiritual”, “uma obra espiritual do mal”, “as obras das trevas”, “magia”, “feitiçaria”, “obras do diabo”, “bruxaria” intercaladas ao uso da palavra “macumbaria”.

O Ministério Público Federal já lida com ações contra a intolerância religiosa por parte da Igreja Evangélica desde 2003. “Houve uma ação civil anterior com direito de resposta. Foi suspensa pelo TRS”, afirmou a procuradora. Já em 2008, o ministério das Comunicações a irrisória multa de R$1.012,32 para as duas emissoras. Não foi suficiente, nem em quantia quanto em aviso. Aliás, há dúvidas até sobre a efetivação do pagamento. “Oficiamos. Houve a possibilidade de recorrer e não houve resposta. Sabemos que foi aplicada, saiu no Diário Oficial , mas não sabemos se houve recursos”, diz a procuradora. Continue lendo »

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Prorrogado prazo para edital de Mídia Livre

O edital do Prêmio Pontos de Mídia Livre, que se encerraria no último dia 12, foi prorrogado pelo Ministério da Cultura (MinC) para o dia 27 de março, dando assim mais chances para organizações da sociedade civil inscreverem seus projetos

(por Zonda Bez)

Lançado na última edição do Fórum Social Mundial, em Belém (PA), o edital é resultado da ação parceira entre a Secretaria de Programas e Projetos Especiais (SPPC) e Secretaria de Articulação Institucional (SAI). São 60 prêmios divididos entre projetos de repercussão nacional (R$ 120 mil) ou local (R$ 40 mil). O investimento total é de R$ 3,2 milhões.

O foco está em iniciativas que estejam diretamente ligadas à comunicação compartilhada e participativa, entendidas como “aquelas que reúnem pelo menos dois membros em sua equipe editorial e que buscam interatividade com o público”.

As linguagens são todas as que a comunicação social permite – texto, imagem, som, audiovisual e multimeios – difundidas através de suportes os mais variados – do papel a web. Serão premiadas propostas que tenham sido iniciadas até 1º de julho de 2008.

Além de reconhecer o que se produz em comunicação livre pelas organizações da sociedade civil sem fins lucrativos, Pontos de Cultura também estão aptos a participar, outro objetivo é mapear as iniciativas existentes no Brasil – informação esta que se agregará a outros levantamentos já iniciados – dando assim subsídios para uma reflexão do papel da mídia livre e da importância da construção de políticas públicas para o setor. Continue lendo »

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Doze pontos para uma nova economia

As idéias do Put People First: ao invés de discurso ideológico, propostas concretas, capazes de grandes transformações

Eis uma versão em português da plataforma de doze pontos do movimento quer organiza a grande manifestação de Londres:

I. Salvar primeiro as pessoas: assegurar governança democrática da economia:

1. Obrigar os paraísos fiscais a respeitarem normas internacionais rigorosas.

2. Promover reformas amplas no sistema de direção e governança do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional.

3. Tornar todas as instituições financeiras, produtos financeiros e empresas transnacionais transparentes e sujeitas a prestação pública de contas.

II. Empregos: ocupações decentes e serviços públicos para todos:

4. Promover investimentos maciços num new deal verde, para construir uma economia sustentável, baseada em trabalho decente e remuneração justa.

5. Fortalecer os orçamentos destinados aos serviços públicos.

6. Agir para assegurar recursos de emergência para todos os países que deles necessitam, sem exigir contrapartidas e condicionalidades prejudiciais às sociedades.

III. Justiça: acabar com a pobreza e a desigualdade globais:

7. Destinar, até 2013, ao menos 0,7% da renda nacional dos países ricos para o apoio ao desenvolvimento, e de forma mais eficaz; pressionar para o cancelamento de todas as dívidas ilegítimas ou impagáveis dos países do Sul.

8. Assegurar que os Estados mais pobres tenham condições de gerir suas economias, inclusive controlando os fluxos externos de capital financeiro.

9. Interromper as pressões para que os países em desenvolvimento liberalizem e desregulamentem suas economias; não tentar retomar a Rodada de Doha, rejeitada diversas vezes por estas nações.

IV. Clima: Construir uma economia verde:

10. Além do new deal verde (recomendação 4), introduzir as regulamentações robustas e os incentivos financeiros necessários para construir uma economia verde.

11. Promover, na conferência de Copenhagem, um acordo que assegure cortes substanciais e comprováveis nas emissões de gases do efeito-estufa, de forma a evitar que o aquecimento terrestre ultrapasse 2º C.

12. Assumir compromissos com novas e substanciais transferências de recursos do Norte para o Sul, para apoiar as adaptações energéticas e o desenvolvimento sustentável nos países empobrecidos.

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