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Blog da Redação & Oficina de Pautas

As boas novidades no ciberativismo

Change.org: uma das novas ferramentas

Change.org: uma das novas ferramentas

Com o declínio da crença nos mercados, florescem os sites e redes dedicados ao engajamento em mudanças sociais e ambientais. Não haveria, num país de múltiplas iniciativas como o Brasil, espaço para algo semelhante?

O aprofundamento da crise dos jornais (começando pelos países ricos) tem levado muitos analistas a temer pelo futuro da democracia. Nesta onda estão, além dos conservadores e dos partidários da mercantilização da mídia, alguns pensadores à esquerda. Eles temem que, como a marca principal da internet é a fragmentação, não haja substitutos para o papel de espaço público que a mídia convencional desempenhou, entre os séculos 18 e 20. Surgiu recentemente, porém, mais um desmetido a este receio. Estão se multiplicando, fortalecendo e popularizando os sites colaborativos dedicados a alertar para problemas sociais ou ambientais — e promover mobilização em torno deles.

O pioneiro nesta estrada é provavelmente o Global Voices (português, inglês). Criado em 2005, por iniciativa de um jornalista e um especialista em internet que atuavam no Centro Berkman, da Universidade de Harvard, já tem versões em dezesseis idiomas. A idéia central é precisamente construir comunicação que se alimente do caos da internet, mas vá além dele. “Com milhões de pessoas blogando ao redor do planeta, como você evita ser oprimido pelo excesso de informação?”, indaga-se, na página de apresentação do projeto. A contribuição do Global Voices foi articular, a partir da blogosfera, uma rede de autores, tradutores e editores que visita milhares de blogs e produz diariamente, em cada idioma, uma seleção editada de posts. Além das manchetes do dia, é possível lançar, em cada idioma, pesquisas por país, região e tema. A abrangência temática é muito diversa, mas há forte concentração em assuntos como defesa liberdade de expressão, acesso à internet e combate à pobreza.

Mais recente (2008), contraditório e intrigante é o Take Part. O site é clean, as imagens da home provocam impacto, há a possibilidade atraente de fazer parte da rede e enviar suas próprias histórias. O leque de temas é mais vasto. “Industrialização da cadeia alimentar” e “conflitos no Oriente Médio”, por exemplo, estão visíveis, logo na entrada. Um menu saliente, no espaço mais atraente da home, sugere “postar”, ou envolver-se em “temas”, “ações” e “grupos”. Um olhar mais profundo sugere, porém, que talvez Take Part seja editado demais na forma (destacar “boas” fotos e textos é ótimo, mas é difícil chegar ao que foi postado por “gente comum”), e de menos no conteúdo (um emblema da ambiguidade é a foto que abre o tema “conflitos no Oriente Médio…).

Com enfoques distintos, mas sempre com algum apelo à mobilização social, dezenas de iniciativas estão florescendo. Não seria má idéia escrever, colaborativamente, breves descrições sobre cada uma, para explorar pontos positivos e vulnerabilidades — quem sabe com vistas à construção de algo em português. Uma novidade adicional é o surgimento, recente, de espaços que agregam as informações propostas nos diversos sites e redes de ciberativismo. Uma busca em Social Actions, por exemplo, permite acessar informações sobre campanhas postadas em mais de 50 sites.

Social Actions articula, além disso, uma comunidade de desenvolvedores que já criou cerca de vinte aplicativos para internet. O objetivo destas ferramentas é transformar a busca de campanhas em algo que pode ser feito enquanto se lê uma notícia ou um post. Um plugin para Firefox permite que o navegador acesse, a qualquer tempo, uma base de dados atualizada com informações provenientes dos mais de 50 sites. Um complemento para o WordPress cria, ao pé de cada post em blog construído nessa plataforma, links para as campanhas relacionadas ao tema do texto. Está em desenvolvimento (mas já operante) um aditivo ao Ubiquity, uma ferramenta revolucionária do Firefox. Com ele, você acessa, a partir de qualquer palavra, publiqucada em qualquer site, as ações relacionadas. Basta iluminar os termos desejados (“financial crisis”, digamos) teclar <control+barra de espaços> e em seguida digitar, na janela que se abre, “social-actions”.

Para quem acredita (como o autor deste post), na necessidade de ações que questionem a fundo as relações capitalistas, um exame das campanhas postadas em todas estas fontes pode ser, à primeira vista, estranho Boa parte das iniciativas diz respeito a problemas muito particulares ou locais. Um pesquisador busca recursos para continuar a observação de uma comunidade de gorilas, num trecho de floresta em que estão criticamente ameaçados, no norte do Congo. Uma ONG educacional apela, no nordeste da Tailândia, por voluntários que dêem aulas de artes e redação criativa para crianças.

Esta mesma presença do particularismo caracteriza, porém, a grande maioria das oficinas nos Fóruns Sociais Mundiais. É, provavelmente, um aprendizado necessário. Num momento em que setores vastos da opinião pública estão deixando o longo sono da crença nas “soluções de mercado”, e (re)descobrem a aventura de enxergar criticamente as relações sociais, é natural que seu olhar se fixe nos problemas e injustiças mais próximas. Para abrir novos horizontes, são essenciais a experiência e o diálogo. Além de ajudarem a narrar (e conhecer) o que a mídia de mercado não conta, os sites e redes de ciberativismo são um poderosíssimo acelerador destes processo.

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Crise: a delicada recuperação dos “emergentes”

Entre o alívio e a apreensão (Foto: Kasher)

Entre o alívio e a apreensão (Foto: Kasher)

China, Brasil e Índia estão menos sujeitos à tempestade global. Ação ousada dos Estados contrariou dogmas neoliberais e protegeu os países, admite “The Economist”. Mas nem todos os riscos foram afastados

A edição desta semana da revista britânica The Economist traz uma interessante análise sobre a nova reviravolta na situação das principais “economias emergentes” — China, Índia e Brasil, em primeiro lugar. Há um ano e meio, quando ficou claro que os Estados Unidos mergulhariam numa recessão grave e duradoura, falou-se no “desacoplamento”. Considerava-se que certos países do Sul do planeta haviam reunido condições para evitar o contágio. No final do ano passado, acreditou-se no contrário. Súbitas ondas de demissão, e o recuo abrupto do PIB, pareciam revelar que o redemoinho da crise era forte demais para poupar qualquer nação. Agora, retorna a impressão de uma tranquilidade relativa. Na China, a economia deverá crescer 8%. No Brasil, embora em termos mais modestos, a produção dá sinais de vida e as contratações voltaram.

Por que? Segundo a revista, a onda forte de pessimismo, entre novembro e março, tinha mais a ver com um problema financeiro (o pânico nos mercados de crédito) que com uma dependência estrutural do Sul em relação ao Norte. A China, nota The Economist, já exporta mais para os países “em desenvolvimento” que para os ricos. E seu crescimento acaba de fazer dela o maior importador de produtos brasileiros, à frente dos Estados Unidos.

Há dois fenômenos importantes, por trás destes movimentos. O primeiro, a própria matéria destaca — apesar de seu passado notoriamente neoliberal. Estão se safando os “emergentes” que adotaram políticas opostas a tudo o que  as receitas ortodoxas recomendam. Ao invés de corte drástico de investimentos (aqui, os célebres “ajustes fiscais” de 1998 e 2002), os Estados do Brasil, ìndia e China partiram para medidas corajosas de reativação das respectivas economias. Foi isso que evitou o pior. A segunda hipótese (não formulada pela revista) precisa ser examinada em mais profundidade. Terá o antes chamado “terceiro mundo” reunido densidade econômica e laços entre si mesmo para deixar a condição de uma área econômica de comportamento “reflexo” — isto é, subordinado e dependente?

Falta muito para saber. Primeiro, porque entre os próporios países “em desenvolvimento” a situação é muito desigual. No Leste Europeu, a região que se manteve mais fielmente aferrada aos dogmas neoliberais, a situação é dramática (naturalmente, a mídia brasileira faz silêncio). Estima-se que a produção recue, este ano, 3,5% na Croácia, 4,1% na Romênia, 8% na Ucrânia, 10% na Estônia e Lituânia, 12% na Letônia. Mas haverá dramas também em países que atrelaram muito seu comércio aos EUA (como o México), ou cujas exportações dependem quase apenas de produtos primários (como a Venezuela e a Argentina).

Além disso, uma variável essencial da equação permanece incógnita. Até mesmo China, Índia e Brasil dependeram, para respirar, do alívio nos mercados internacionais de crédito. É algo que começou a se manifestar no segundo trimestre deste ano, depois de os Bancos Centrais dos países ricos despejarem um dilúvio de dinheiro no sistema. Ninguém sabe ainda nem se os efeitos serão duradouros, nem até quando as comportas poderão permancer abertas. Se as respostas a estas dúvidas forem negativas, também os “emergentes” bem-sucedidos terão de encontrar outras fórmulas, para manter o pescoço sobre a água.

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