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Blog da Redação & Oficina de Pautas

Prorrogado prazo para edital de Mídia Livre

O edital do Prêmio Pontos de Mídia Livre, que se encerraria no último dia 12, foi prorrogado pelo Ministério da Cultura (MinC) para o dia 27 de março, dando assim mais chances para organizações da sociedade civil inscreverem seus projetos

(por Zonda Bez)

Lançado na última edição do Fórum Social Mundial, em Belém (PA), o edital é resultado da ação parceira entre a Secretaria de Programas e Projetos Especiais (SPPC) e Secretaria de Articulação Institucional (SAI). São 60 prêmios divididos entre projetos de repercussão nacional (R$ 120 mil) ou local (R$ 40 mil). O investimento total é de R$ 3,2 milhões.

O foco está em iniciativas que estejam diretamente ligadas à comunicação compartilhada e participativa, entendidas como “aquelas que reúnem pelo menos dois membros em sua equipe editorial e que buscam interatividade com o público”.

As linguagens são todas as que a comunicação social permite – texto, imagem, som, audiovisual e multimeios – difundidas através de suportes os mais variados – do papel a web. Serão premiadas propostas que tenham sido iniciadas até 1º de julho de 2008.

Além de reconhecer o que se produz em comunicação livre pelas organizações da sociedade civil sem fins lucrativos, Pontos de Cultura também estão aptos a participar, outro objetivo é mapear as iniciativas existentes no Brasil – informação esta que se agregará a outros levantamentos já iniciados – dando assim subsídios para uma reflexão do papel da mídia livre e da importância da construção de políticas públicas para o setor. Continue lendo »

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Tem que ser político

No mês de maio, a grande presença do cinema brasileiro na França evidencia o posicionamento do cinema atual rumo a um engajamento “do real”

(Por Bruno Carmelo)

Com o fim do Festival de Cannes e do Festival de Cinema Brasileiro de Paris, a França sediou, no mês de maio, mais de 40 filmes brasileiros, que vão do curta ao longa-metragem, das grandes produções às experimentais, dos diretores mais famosos aos estreantes.

É possível aproximar as experiências destes dois eventos. O Festival do Cinema Brasileiro de Paris, embora bem menor do que Cannes, tem o mérito de trazer nosso cinema ao alcance do público comum, uma vez que as projeções de Cannes são fechadas à imprensa. Se ele trouxe visibilidade para o cinema brasileiro na mídia, o festival parisiense infiltrou-se silenciosamente e alcançou um público significativo dentro do circuito “de arte”.

Paris e o “deserto rebelde”

O Festival do Cinema Brasileiro de Paris apresentou boa diversidade de filmes, organizou debates históricos e conversas com os diretores. As premiações disseram muito sobre como o cinema foi percebido: o público elegeu a comédia Saneamento Básico, de Jorge Furtado, premiando um gênero pouco conhecido no exterior. Já o júri fez uma escolha interessante, dividindo o prêmio máximo entre Mutum, de Sandra Kogut e Deserto Feliz, de Paulo Caldas.

Trata-se de filmes opostos. O de Kogut trabalha na chave do minimalismo, de uma poesia silenciosa construída através do olhar de uma criança. Já Paulo Caldas desconhece o silêncio: seu filme grita (literalmente, quase) a existência de um submundo, da pobreza, da prostituição, das drogas. Embora o júri tenha tentado abraçar tanto a herança do Cinema Novo em embalagem moderna (Deserto Feliz) quanto a “ousadia” de um filme clássico (Mutum), o prêmio suplementar de melhor atriz para o filme de Paulo Caldas faz com que esse saia como “grande vencedor”.

Cannes e as “visões do inferno”

Cannes também apresentou duas obras de diretores brasileiros em competição, além de outros longas e curtas em mostras paralelas. Sobre os dois “brasileiros” da competição oficial, Linha de Passe, de Walter Salles e Blindness, de Fernando Meirelles (poderia questionar-se a nacionalidade desse segundo, que ostenta o nome da Miramax e de vários atores norte-americanos), a recepção foi fraca.

O filme de Meirelles abriu a competição. As críticas, decepcionantes. Blindness seria um tanto afetado, segundo os jornalistas; marcado por um estetismo que se sobreporia ao lado humano da obra. O diretor, visivelmente ferido pela opinião geral, defendeu o ineditismo de seu filme e acusou as críticas “apressadas” dos jornalistas.

Linha de Passe não teve críticas tão negativas, mas também não despertou grande entusiamo. Isso não impediu, no entanto, que ele ganhasse o prêmio de melhor atriz das mãos do presidente do júri, Sean Penn, que cumpriu a promessa de premiar filmes que “mostrem consciência do mundo que os cerca”. Sim, Linha de Passe trata de uma família carente, e o título juntou-se aos outros abertamente políticos da competição (Entre Les Murs, Il Divo, Gomorra), todos premiados.

Cannes deixou clara a importância do cinema político hoje em dia. No momento em que os documentários são valorizados por serem mais “reais”, o festival de cinema mais importante do mundo despreza os filmes fictícios e intimistas. Estabelece-se uma hierarquia temática: é mais importante falar de sociedade do que falar do indivíduo; do público do que do privado. Acima de tudo, fica evidente a perda da capacidade de abstração do olhar contemporâneo: o filme político tem que ser explícito, não há espaço para a poesia e metáfora. Ficção torna-se sinônimo de alienação.

Pode-se notar certas semelhanças entre os resultados dos dois festivais, pelo menos nas reflexões sobre cinema do Brasil. Assim como Deserto Feliz foi elogiado pelo imediatismo da obra (“seu filme fala sobre o real”, exclamou um crítico de cinema que compunha o júri), Linha de Passe foi elogiado pelo jornal Le Monde pelo “retrato do inferno” sobre São Paulo.

Nesse contexto, o filme torna-se um produto útil, uma arma militante. O engajamento contemporâneo, mesmo que louvável em sua intenção, só permite uma relação com o real: a reprodução da realidade (e não a construção ou significação do mesmo). Não é de se estranhar que as cinematografias de países subdesenvolvidos estejam em voga nos festivais europeus. A partir do momento em que as atenções dos países ricos dirigem-se para o sul do globo, o cinema brasileiro tem tudo para aproveitar seu crescimento qualitativo e destacar-se.

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Para tramar um 2008 feliz

Ao celebrar o ano de seu lançamento, Caderno Brasil propõe medidas concretas para continuar construindo, na internet, um espaço de reflexão sobre as ações transformadoras autônomas e o pós-capitalismo

Foi um ano memorável, para Le Monde Diplomatique no Brasil. Em agosto, concretizou-se o velho plano de dar ao jornal, presente desde 1999 no país, a materialidade de uma edição impressa. Com cinco números publicados, ela já criou personalidade própria. Suas matérias de capa debatem quase sempre temas brasileiros ou latino-americanos; seu desenho e ilustrações refletem a força e criatividade da tradição brasileira de artes gráficas; aos poucos, formam-se um grupo de colaboradores e um Conselho Editorial.

No mesmo mês, apareceu a série de livros de bolso temáticos. Agora em periodicidade trimestral, e novo formato, ela recupera o papel cumprido pelos Cadernos Diplô: debater em profundidade temas cruciais; resgatar texto especialmente inspirados do acervo do jornal; associá-los a artigos inéditos de colaboradores brasileiros.

Em 10 de outubro surgiu, na edição internet, o Caderno Brasil. A energia que o move é a mesma que alimenta Le Monde Diplomatique em todo o mundo. Ela convida a investigar, sem concessões ao superficialismo ou ao panfleto, os fenômenos que movem a sociedade; e a explorar, em especial, os pontos em que as engrenagens da ordem hegemônica são mais frágeis, e podem ser paralisadas.

A internet, porém, não é apenas um meio alternativo. Ela está permitindo que a narrativa do tempo que vivemos seja feita por uma imensa diversidade de observadores e agentes — de blogueiros e usuários do YouTube, Fricks, Wikipedia e outras pelataformas que existem ou surgirão a usuários de celulares que os usam para mobilizar a sociedade. Ela permite incorporar os leitores às várias etapas de produção do jornal — da pauta à pesquisa e à própria produção e crítica dos textos. Ela vai revolucionar, num futuro próximo, o próprio caráter das publicações e o modo de editá-las. O Caderno Brasil está disposto a encarar este desafio.

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Desafios da interatividade

Está surgindo, diante de nossos olhos, uma nova forma de ação política. O problema é torná-la visível, reconhecida, capaz de refletir sobre si mesma e de se reproduzir constantemente

Tornar o leitor participante ativo da produção do jornal tem, para Le Monde Diplomatique, sabor especial. É que, sumultaneamente com a interatividade proporcionada pela internet, está em curso um outro movimento — provavelmente ainda mais profundo: o repensar da própria política. Uma parcela crescente das sociedades deixou de identificála (como os Fóruns Sociais Mundiais já haviam demonstrado) apenas com a representação. Política já não é o comparecimento às urnas, em intervalos regulares, para delegar, a partidos ou indivíduos, o poder de expressar nos projetos, valores e desejos. Esta forma limitada de democracia esvaziou-se aceleradamente nas últimas décadas — mas em seu vácuo não ha apenas desencanto, impotência social e agigantamento do poder econômico e das finanças.

Emergiu também a noção de que é possível mudar o mundo construindo permanentemente valores, lógicas sociais e poderes contra-hegemônicos. Multiplicam-se as iniciativas transformadoras autônomas. Às vezes, têm personalidade formal: um movimento social, uma ONG, uma cooperativa, uma associação. Em inúmeros casos, são informais: uma comunidade de software livre que trabalha em regime de colaboração, um grupo de ativistas em favor da liberdade de compartilhar conhecimento e produções culturais. Não negam a política, assim como os blogueiros não negam os jornais. Vão além: querem ser — por meio de sua vida, quotidiano e iniciativas transformadores — a política.

Este novo ativismo nunca pára de produzir reflexões e análises. Mas seu pensamento não é matéria dos jornais convencionais. Presos a uma visão que não vê espaço público além das instituições, eles dedicam suas páginas ao que diz cada vez menos (as manobras nos parlamentos, os escândalos de corrupção, o jorgo eleitoral — enfim, a política-espetáculo), enquanto fecham os olhos ao que interesa a um público cada vez maior (o exame profundo da realidade, as ações que criam novas lógicas sociais, as formas alternativas de cultura e convívio, por exemplo).

A nova cultura política que emerge precisa de espaços de diálogo. É neles que ela pode compartilhar experiências; debater pontos de vista, aprofundar compreensões e construir consensos; expor divergências, entender seu sentido e, se for o caso, resolvê-las; agir em conjunto, por meio da sedução de idéias e projetos. Estes espaços de diálogo também são necessários para que a nova cultura possa se expandir. Tornando conhecidas suas narrativas de mundo, suas práticas; revelando que é possível construir o futuro comum por meio de ações autônomas; estimulando, pela força dos exemplos, o surgimento de uma imensa diversidade de novas iniciativas.

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Uma receita para o Caderno Brasil

Tornar-se, no grande caos criativo da internet, um na rede, um ponto onde múltiplos saberes dialoguem e construam o comum — sem perder a própria identidade jamais…

Dois novos colunistas e um ilustre colaborador eventual estrearam no Caderno Brasil do Diplô, na virada do ano. Bruno Carmelo escreverá semanalmente sobre cinema e diversidade. Bruno Cava, a cada quinzena, sobre movimentos estudantis. Giuseppe Cocco, parceiro do filósofo italiano Toni Negri em pelo menos um livro e diversos artigos, analisa o programa Bolsa-Família, relacionando-o com a utopia possível da desmercantilização do trabalho.

Carmelo, Cava e Cocco expressam, cada um a seu modo, o projeto do Caderno Brasil: tecer uma ampla rede de colaboradores brasileiros, unida por valores e visões de sociedade convergentes, mas diversa nas temáticas abordadas e nas nuances de suas sensibilidades políticas. Estimular a autonomia desta rede. Abandonar a velha idéia de jornal — um produto verticalizado, cuja forma final (expressa na pauta, na alocação arbitrária dos textos em um número limitado de páginas e em relações internas marcadas por hierarquia e assalariamento) tinha a cara dos editores.

O papel destes é outro (e muito mais instigante, do nosso ponto de vista…) na era da comunicação compartilhada. Cabe-lhes animar a rede de colaboradores. Com abertura para identificar ou garimpar os temas e autores que possam enriquecê-la. Com acompanhamento constante dos fatos, para sugerir novas pautas à rede armada em torno do jornal. Com sensibilidade para propor, no material produzido por esta rede, alterações que mantenham a integridade dos artigos, mas construam, simultaneamente, alguns padrões editoriais e gráficos.

Passados pouco menos de três meses do lançamento do Caderno Brasil, os primeiros resultados parecem muito animadores. O número de textos visitados no site a cada dia subiu para mais de 5 mil — um patamar expressivo, levando em conta o caráter da publicação. A estréia de Carmelo, Cava e Cocco amplia para 34 o número de colaboradores do jornal. Destes, nove escrevem regularmente, como colunistas. Entre este corpo estão pensadores e jornalistas admirados por sua contribuição à cultura brasileira, como Augusto Boal, Elisabeth Carvalho, Iganacy Sachs, José Luís Fiori, Ladislau Dowbor. Mas não são menos importantes os personagems que expressam assuntoe e ações emergentes. Entre muitos outros, Rodrigo Gurgel, Eleílson Leite, Dalton Martins, Ernani Dimantas, Evilásio Salvador, Manoel Neto, Flávio Shirahige, Luiz André Ferreira, Sílvia Ferabolli, Cláudio César Dutra de Souza.

É um ótimo começo. Mas o Caderno Brasil quer ir muito além, em 2008.

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Nossos próximos caminhos

Promover a reforma gráfica do site. Relançar o Blog da Redação. Construir um Pontão de Cultura. Assegurar a auto-sustentação do jornal. Multiplicar o número e diversidade dos colaboradores. Planos e sonhos que não acabam jamais

A versão eletrônica de Le Monde Diplomatique é um projeto ousado e inovador, porém cauteloso. Como em tantos casos de publicações na internet, um desafio central é assegurar a auto-sustentação. Os investimentos necessários para tanto são feitos, desde outubro de 2006, pelo Instituto Paulo Freire. A equipe central, porém, é reduzida: um editor e uma estagiária, como se vê no expediente. O desafio é ampliar incessantemente, partindo desses recursos escassos, o projeto e seu alcance. Em vista dos primeiros ressultados alcançados, Le Monde Diplomatique Brasil estabeleceu uma série de objeitovs em 2008. Veja os principais:

>Relançar o Blog da Redação: Inaugurado em outubro, mas alimentado com pouca freqüência desde então, o blog é o motor decisivo para multiplicar o alcance do Le Monde Diplomatique Brasil. Por meio de suas notas, curtas porém freqüentes, a redação, a rede de colaboradores e os leitores poderão refletir e dialogar sobre os acontecimentos mais relavantes da atualidade, os temas de longo prazo que eles evocam, as pautas que sugerem. O texto que você lê nesse instante é um exemplo deste diálogo possível. O blog voltará a ser atualizado com regularidade em fevereiro, quando serão propostas fórmulas muito concretas para que, por meio dele, colaboradores permanentes ou eventuais envolvam-se de forma ativa com o Diplô Brasil e seu projeto.

>Pontão de Cultura e auto-sustentação: Le Monde Diplomatique participou, no segundo semestre de 2008, de um edital do ministério da Cultura para criação de novos Pontões de Cultura. Os Pontões são iniciativas que visam integrar a rede de centenas de Pontos de Cultura abertos no país, e multiplicar seu alcance. O projeto do jornal pretende oferecer, a estes centros de produção e debate de cultura e idéias, uma nova possibilidade de se voltarem para o exame de temas nacionais e mundiais polêmicos; articular novos colaboradores; envolver, ao fazê-lo, públicos como as universidades, os movimentos sociais e a imprensa alternativa.

A comissão julgadora que avaliou o processo de seleção aberto pelo edital classificou a proposta de Le Monde Diplomatique no Banco de Projetos que poderão, ao longo de 2008, firmar convênios com o ministério da Cultura para concretização de seus objetivos. O Blog da Redação manterá o leitor informado a respeito.

Le Monde Diplomatique também apresentará, nas próximas semanas, uma proposta de captação de recursos com base na Lei Rouanet. O objetivo é assegurar a auto-sustentação do jornal e realizar suas vastas possibilidades de expansão. Entre diversos objetivos, a proposta inclui a edição de um Atlas da Globalização e de novas coleções de livros temáticos.

>Expansão da rede: A experiência dos promeiros meses revela que o grupo de colaboradores do Caderno Brasil pode se expandir e ampliar sua diversidade, sem perder o padrão de qualidade já alcançado. Nos próximos meses, o Blog da Redação lançará apelos a interessad@s em escrever sobre temas específicos, indicar outros colaboradores, participar da pauta, pesquisa e crítica do jornal.

A construção da comunicação compartilhada — e, em seu universo, de pontos de diálogo para a crítica profunda do capitalismo e a busca de alternativas — é um projeto de vida que quermos compartilhar com o maior número possível de parceiros. Será, ao longo do ano, nossa forma de desejar Feliz 2008 e Feliz Futuro — o que construiremos juntos.

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Diplô lança o Caderno Brasil

Objetivo: construir, no caos criativo da internet, um espaço de diálogo sobre os grandes temas do país e do mundo — em sintonia com a nova cultura política que emerge dos Fóruns Sociais

Uma dúvida perturba, com freqüência, os que acreditam — como Le Monde Diplomatique Brasil — na força da blogosfera, em sua capacidade de ser alternativa aos oligopólios da mídia comercial. A questão é: como construir, no magnífico caos criativo da internet, espaços públicos de debate sobre as grandes questões nacionais e internacionais? Em outras palavras: por que caminhos as novas tecnologias, que estão nos livrando da mesmice e mediocridade dos jornais tradicionais, poderão também facilitar o surgimento de novas formas de mobilização social, conquista de direitos e… democracia?

Nosso Caderno Brasil, que está no ar desde 2 de outubro, é uma pequena contribuição à busca de respostas. Dois objetivos editoriais o orientam. 1) Oferecer textos produzidos com a mesma profundidade e espírito investigativo que caracterizam a edição original de Le Monde Diplomatique; 2) Mas fazê-lo levando em conta que o jornalismo e o pensamento crítico precisam entrar em sintonia com a era dos Fóruns Sociais Mundiais e da comunicação em rede.

Isso significa que afirmamos, na melhor tradição do Diplô, o direito dos seres humanos a conhecer e transformar o mundo em que vivem. Mas ressalvamos: a construção do futuro coletivo é algo maior que influir nos mecanismos tradicionais (governos, parlamentos, partidos) da “democracia” representativa. Por isso, o Caderno procurará tornar visíveis temas desprezados pela mídia (para a qual política é sinônimo de Estado e instituições), mas cada vez mais valorizados pela cidadania. Sinalizam este esforço textos como O Paradigma da Colaboração (sobre o surgimento de lógicas sociais que estão substituindo o individualismo e a luta de todos contra todos, típicos dos mercados), ou Outra economia, além do capital (que introduz o universo da Economia Alternativa e Solidária).

Também estamos convencidos de que, nos novos tempos, a imprensa alternativa precisa superar não apenas as idéias do jornalismo de mercado — mas também sua lógica piramidal. Caderno Brasil não buscará o modelo das publicações clássicas (inclusive as de esquerda), cujo conteúdo é quase inteiramente pautado e produzido por uma Redação, estruturada em rígida hierarquia. Procurará, ao contrário, mobilizar os oceanos de criatividade e talentos que a internet permite articular. Será mais um espaço — aberto ao encontro de pessoas e iniciativas que vêem e narram o mundo a partir de valores semelhantes — que um um jornal acabado, com número de páginas, editorias, periodicidade e responsáveis fixos.

Numa primeira etapa, esta diversidade será constituída por um elenco aberto de colaboradores. Intelectuais e jornalistas de méritos reconhecidos, como Ladislau Dowbor (que integra o Conselho de Gestão de Le Monde Diplomatique, e já estreou), José Luís Fiori, Roberto Cattani e muitos outros serão colaboradores do Caderno. Mas ele trará igualmente pensadores não-revelados pela mídia, e no entanto envolvidos em ações transformadoras e em reflexões originais e estimulantes. Dalton Martins e Hernani Dimantas, do coletivo Meta-Reciclagem, assinam uma coluna sobre Redes Sociais. Carola Reintjes, baseada em Córdoba (Espanha) e uma grande referência internacional sobre Economia Solidária escreve sobre o tema. São os primeiros de um longo elenco de colunistas, em fase de constituição.

Além de colunistas, Caderno Brasil terá um grupo informal de sub-editores. É gente que mobiliza redes de colaboradores, e articula sua presença no jornal. O escritor e jornalista Rodrigo Gurgel é o primero. Ele criou Palavra, uma seção de Literatura que irá ao ar todas as sextas-feiras — com um ensaio, um conto ou crônica e um poema.

Num universo como este, o papel da Redação é outro. Ao invés de pautar, ela informa, troca opiniões. sugere assuntos. Será este o papel de nosso Blog, a ser relançado após o fim de semana. Atualizado todos os dias, e apoiado numa vasta rede internacional de publicações independentes, ele chamará atenção para iniciativas que — mesmo ocultadas pela mídia — estão mudando o mundo e as formas de enxergá-lo. Uma vasta pesquisa na internet, que Le Monde Diplomatique Brasil conduz há meses, localizou centenas de fontes de informção, nas quais é possível localizar material de grande relevância, normalmente desprezado pelos “grandes” jornais. Vai valer a pena conferir.

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Pós-capitalismo na pós-modernidade

Num texto provocador, Ladislau Dowbor sugere: já é possível substituir o individualismo e a competição, bases do capitalismo, pelo Paradigma da Colaboração

A pós-modernidade pode ser, também, o tempo do pós-capitalismo. Impulsionado pela própria globalização, o paradigma da colaboração está se impondo e mostrando suas imensas vantagens sobre o individualismo e a competição de todos contra todos, que marcaram os últimos séculos. A superação do sistema hegemônico, contudo, não virá por meio da estatização — mas de decisões políticas que liberem, pouco a pouco, as potencialidades da nova forma de produzir. Inovadoras e polêmicas, essas três hipóteses marcam O Paradigma da colaboração, artigo de Ladislau Dowbor que inaugura hoje o Caderno Brasil de Le Monde Diplomatique.

O texto é um capítulo de Democracia Econômica: um passeio pelas teorias, o livro que Ladislau acaba de publicar, pela editora do Banco do Nordeste do Brasil. Segundo o autor, dois fatores estão erodindo rapidamente as bases do antigo paradigma. De um lado, há múltiplos sinais de que o “progresso”, nas bases atuais — que estimulam cada indivíduo a ver, antes de tudo, seus próprios interesses –, coloca em risco a própria sobrevivência do planeta. De outro, surgem tendências materiais (entre outras, a economia baseada no saber e a conectividade) que estimulam a colaboração e comprovam sua superioridade. As comunidades de software livre estão superando, em muitos terrenos, o desenvolvimento de programas sob a lógica da propriedade intelectual e das patentes. A Wikipedia tornou-se um símbolo das possibilidades de inteligência coletiva.

Limites e potência do novo padrão: Ladislau aponta que a força do novo padrão está obrigando as próprias empresas capitalistas a adotá-lo: elas reduzem rapidamente o leque e o peso de suas hierarquias e dão corda a equipes de trabalho movidas por princípios de horizontalidade. O artigo ressalva, porém, que o caminho para uma mudança além da superfície será duro. “A sociedade, como um todo, ainda é dominada pelo paradigma da ‘guerra econômica global’. (…) A visão da luta pela sobrevivência do mais apto está, sem dúvida, generalizada. Impregna a escola com as suas lutas pelo primeiro lugar ou a melhor nota, a competição pela sobrevivência que representa o vestibular. Aparece em cada programa de televisão. A idéia é ‘vencer’ os outros, ainda que a batalha seja fútil e os resultados, ruins para todos”.

A oportunidade, contudo, está aberta, aposta Ladislau. Graças às novas tendências, a mudança de paradigmas — “que, em épocas mais antigas, teria exigido centenas de anos” — é pelo menos possível. A transformação tem um forte viés cultural. “A colaboração para criar coisas novas ou simplesmente úteis é uma das fontes mais importates de prazer (…). O paradigma da colaboração, além de constituir uma visão ética e de materializar valores das pessoas que querem gozar uma vida agradável e trabalhar de maneira inteligente e útil — em vez de ter de matar um leão por dia — constitui hoje bom senso econômico em termos de resultados para o conjunto da sociedade” .

Nosso dossiê:
No Le Monde Diplomatique:
> Em nossa Biblioteca Virtual, pastas sobre Crise do Cientificismo e do Desenvolvimentismo, Opção pelo Decrescimento, Cooperativismo, Economia Social e Solidária e Alternativas ao modo de vida ocidental.

Outras fontes:
> Ladislau Dowbor mantém um site constantemente atualizado, com textos, livros, palestras, vídeos, indicações de leitura. Todo o material disponível pode ser reproduzido, segundo os princípios do copyleft. O livro Democracia Econômica, por exemplo, pode ser baixado, na íntegra (formato “rtf”), aqui.

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