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Blog da Redação & Oficina de Pautas

Diplô lança o Caderno Brasil

Objetivo: construir, no caos criativo da internet, um espaço de diálogo sobre os grandes temas do país e do mundo — em sintonia com a nova cultura política que emerge dos Fóruns Sociais

Uma dúvida perturba, com freqüência, os que acreditam — como Le Monde Diplomatique Brasil — na força da blogosfera, em sua capacidade de ser alternativa aos oligopólios da mídia comercial. A questão é: como construir, no magnífico caos criativo da internet, espaços públicos de debate sobre as grandes questões nacionais e internacionais? Em outras palavras: por que caminhos as novas tecnologias, que estão nos livrando da mesmice e mediocridade dos jornais tradicionais, poderão também facilitar o surgimento de novas formas de mobilização social, conquista de direitos e… democracia?

Nosso Caderno Brasil, que está no ar desde 2 de outubro, é uma pequena contribuição à busca de respostas. Dois objetivos editoriais o orientam. 1) Oferecer textos produzidos com a mesma profundidade e espírito investigativo que caracterizam a edição original de Le Monde Diplomatique; 2) Mas fazê-lo levando em conta que o jornalismo e o pensamento crítico precisam entrar em sintonia com a era dos Fóruns Sociais Mundiais e da comunicação em rede.

Isso significa que afirmamos, na melhor tradição do Diplô, o direito dos seres humanos a conhecer e transformar o mundo em que vivem. Mas ressalvamos: a construção do futuro coletivo é algo maior que influir nos mecanismos tradicionais (governos, parlamentos, partidos) da “democracia” representativa. Por isso, o Caderno procurará tornar visíveis temas desprezados pela mídia (para a qual política é sinônimo de Estado e instituições), mas cada vez mais valorizados pela cidadania. Sinalizam este esforço textos como O Paradigma da Colaboração (sobre o surgimento de lógicas sociais que estão substituindo o individualismo e a luta de todos contra todos, típicos dos mercados), ou Outra economia, além do capital (que introduz o universo da Economia Alternativa e Solidária).

Também estamos convencidos de que, nos novos tempos, a imprensa alternativa precisa superar não apenas as idéias do jornalismo de mercado — mas também sua lógica piramidal. Caderno Brasil não buscará o modelo das publicações clássicas (inclusive as de esquerda), cujo conteúdo é quase inteiramente pautado e produzido por uma Redação, estruturada em rígida hierarquia. Procurará, ao contrário, mobilizar os oceanos de criatividade e talentos que a internet permite articular. Será mais um espaço — aberto ao encontro de pessoas e iniciativas que vêem e narram o mundo a partir de valores semelhantes — que um um jornal acabado, com número de páginas, editorias, periodicidade e responsáveis fixos.

Numa primeira etapa, esta diversidade será constituída por um elenco aberto de colaboradores. Intelectuais e jornalistas de méritos reconhecidos, como Ladislau Dowbor (que integra o Conselho de Gestão de Le Monde Diplomatique, e já estreou), José Luís Fiori, Roberto Cattani e muitos outros serão colaboradores do Caderno. Mas ele trará igualmente pensadores não-revelados pela mídia, e no entanto envolvidos em ações transformadoras e em reflexões originais e estimulantes. Dalton Martins e Hernani Dimantas, do coletivo Meta-Reciclagem, assinam uma coluna sobre Redes Sociais. Carola Reintjes, baseada em Córdoba (Espanha) e uma grande referência internacional sobre Economia Solidária escreve sobre o tema. São os primeiros de um longo elenco de colunistas, em fase de constituição.

Além de colunistas, Caderno Brasil terá um grupo informal de sub-editores. É gente que mobiliza redes de colaboradores, e articula sua presença no jornal. O escritor e jornalista Rodrigo Gurgel é o primero. Ele criou Palavra, uma seção de Literatura que irá ao ar todas as sextas-feiras — com um ensaio, um conto ou crônica e um poema.

Num universo como este, o papel da Redação é outro. Ao invés de pautar, ela informa, troca opiniões. sugere assuntos. Será este o papel de nosso Blog, a ser relançado após o fim de semana. Atualizado todos os dias, e apoiado numa vasta rede internacional de publicações independentes, ele chamará atenção para iniciativas que — mesmo ocultadas pela mídia — estão mudando o mundo e as formas de enxergá-lo. Uma vasta pesquisa na internet, que Le Monde Diplomatique Brasil conduz há meses, localizou centenas de fontes de informção, nas quais é possível localizar material de grande relevância, normalmente desprezado pelos “grandes” jornais. Vai valer a pena conferir.

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Arquivado em:colaboração, comunicação compartilhada, imprensa, jornalismo, mídia de mercado, pós-capitalismo

No ar, o Blog da Redação

Proposta: relatar e debater, com base numa nova imprensa independente, fatos e pontos de vista esquecidos pela mídia tradicional

Desenho gráfico e domínio ainda são provisórios; e incomodam alguns menus em inglês. Mas é uma satisfação apresentar, em caráter experimental, mais um elemento importante do Caderno Brasil do Le Monde Diplomatique: o Blog da Redação. Complementar às traduções do original francês e aos textos dos redatores e colaboradores brasileiros (que estrearão nas próximas semanas), o novo espaço tem dois objetivos essenciais. Chamará atenção para a possibilidade de ver os fatos nacionais e internacionais com base em relatos alternativos aos da mídia tradicional. E buscará envolver os leitores no acompanhamento dessas coberturas.

Em paralelo à crise do neoliberalismo, despontaram, nos últimos anos, duas tendências promissoras. Multiplicaram-se as organizações e movimentos que procuram construir, desde já, novos valores e lógicas sociais. O êxito, a diversidade e a capacidade de atração dos Fóruns Sociais são um dos sinais dessa efervescência. Mas espalharam-se, ao mesmo tempo, iniciativas de comunicação que procuram enxergar o mundo além da superficialidade dos jornais e TVs. O surgimento da internet é, obviamente, uma das causas do fenômeno. Mas ele só existe porque está nascendo uma nova cultura política, que reage à crise da democracia representativa não com o conformismo — mas com a multiplicação de ações autônomas por um outro mundo possível.

A comunicação transformadora está em todo canto. A antiga imprensa independente — que tem se qualificado em todo o mundo e no Brasil — tornou-se, felizmente, apenas parte do universo. As iniciativas são às vezes articuladas por organizações com longa trajetória, interessadas em tornar cada vez mais conhecidas as causas por que lutam. Em sites como os Greenpeace (global, Brasil), do IDEC brasileiro ou da rede Jubileu Sul é possível comprender temas como o aquecimento global, os direitos do consumidor ou a busca de alternativas ao atual sistema financeiro de maneira muito mais profunda que na antes chamada “grande” imprensa. Em outras situações, a própria possibilidade de difundir um tema ajuda a criar um movimento novo. Esse parece ser o caso do inovador Direito à Comunicação, que aprofundou parte do trabalho antes realizado pelo Coletivo Intervozes. Por fim, há a galáxia dos blogs. Onde é mais provável encontrar debate qualificado sobre projetos para o Brasil: nas páginas de Política e Economia dos jornais ou no Projeto Brasil, de Luís Nassif?

Do caos criativo a espaços de debate: Um dos problemas mais instigantes para um jornalismo em sintonia com a nova tendência é: como construir, a partir do imenso volume de informações disponíveis na internet, espaços de debate. Muitas vezes, informação e análises disponíveis na rede estão redigidos em linguagem de especialistas, em outros idiomas, ou apoiando-se em referências (fatos, personagens, locais) pouco conhecidos de um público mais amplo. Faz falta um trabalho que o sociólogo português Boaventura Santos Souza gosta de qualificar como tradução política.

O Blog da Redação vai procurar, modestamente, participar da solução desse desafio. Ao longo dos últimos anos, a edição eletrônica Le Monde Diplomatique Brasil recolheu e examinou um amplo acervo de fontes da nova comunicação transformadora. São cerca de 500 sites, blogs e listas de informação. Nossa aposta é: com base no material fornecido por essas fontes, já é possível produzir um conteúdo útil a quem procura enxergar, em profundidade, a realidade do mundo e do país — e caminhos para transformá-la.

O blog não pretende substituir a leitura dos jornais diários, nem a de seus cadernos internacionais. É provável que as novas mídias possam fazê-lo, no futuro, mas será preciso contar com vastas redes de colaboradores, equipes de redação nutridas e soluções editoriais que serão construídas ao longo do tempo e por muitas cabeças. Nossa ambição, muito mais limitada, é mostrar a possibilidade de pesquisar e construir, desde já, novas visões de mundo. Nesse sentido, o blog será um pouco menos pessoal que a maioria, e terá certa queda para a reportagem. Marca própria: ao final de cada postagem haverá sempre explicitação das fontes em que se baseou nossa apuração. A idéia é compartilhar com os leitores tanto nosso acervo quanto o prazer de pesquisá-lo.

Um projeto em construção: As matérias publicadas abaixo são um primeiro teste. As quatro primeiras postagens compõem, juntas, uma análise sobre os impasses na Bolívia, cuja Assembléia Constituinte está paralisada há quase um mês, e deverá prosseguir assim por mais 30 dias. Seguem-se textos sobre a polêmica em torno dos biocombustíveis; o caráter de dumping da “ajuda” alimentar oferecida pelos Estados Unidos a nações do Sul; e a próxima conferência da ONU sobre aquecimento global, que tem como meta buscar metas mais ambiciosas para redução das emissões de CO2, após o fim do Protocolo de Kioto, que expira em 2012. Uma nota de agenda fecha a primeira fornada.

O blog é aberto à participação dos leitores. Para postar, usa-se o último link ao final de cada texto. Os comentários serão muito bem-vindos, porém moderados. São banidos spams, ataques pessoais, egocentrismos exagerados e violações de princípios éticos. Sobre esses, nossa referência é a Carta do Fórum Social Mundial. Além de comentar postagens da redação, os leitores poderão, em breve, sugerir livremente temas e pautas num Mural, renovado todos os dias e moderado segundo os princípios acima.

Desenho gráfico, ferramentas de alimentação do blog (no momento, estamos testando uma visão do WordPress, que pode permitir, mais adiante, criar diversos blogs ligados ao domínio www.diplo.org.br) quanto a definição detalhada do projeto editorial estão em aberto. Será um prazer construí-los com a sua participação.

Arquivado em:altermundismo, comunicação compartilhada, jornalismo, mídia de mercado

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