Outras Palavras

Icon

Comunicação Compartilhada & Pós-capitalismo

Outros mapas, outros mundos

O ciberativismo começa a explorar um novo terreno: como o Google Maps e outros sistemas são usados coletivamente para tornar visíveis (e transformar) realidades que a mídia menospreza

Por Sarita Bastos

Tinha uma pedra no meio do caminho. Onde? Em qual latitude? Em qual longitude? Se Carlos Drumond de Andrade tivesse identificado em algum mapa o local exato dessa pedra, talvez evitássemos essa trilha e seguiríamos outras rotas. Mas o território do poeta era sentimental, pessoal, verbal e impossível de rastrear por satélite.

E no entanto, o mundo está cheio de pedras, buracos e campos minados sem nenhuma poesia. Muitas pessoas seguem sem parar para olhar, analisar e limpar o caminho. Outras, apesar das “retinas tão fatigadas”, observam o território com atenção e exibem para o mundo as coordenadas geográficas do problema.

A criação de mapas online, interativos e com a possibilidade de edição colaborativa agrega valor visual e informativo aos dados numéricos sobre diversos temas. Internautas usam o Google Maps e outros serviços de criação de mapas online para criar mashups reunindo dados, vídeos e fotos de diferentes fontes.

Apresentamos alguns exemplos de mapas customizados, informativos e socialmente necessários:

Mapa das inundações no Norte e Nordeste:
Mapeamento das informações sobre os municípios do Norte e Nordeste mais atingidos pelas enchentes dos meses de abril e maio de 2009. A área que concentra mais marcadores evidencia os estados mais afetados – Maranhão, Piauí e Ceará. O mapa, editado coletivamente, ajuda na mobilização de doações para as vítimas.

Mapa das chuvas. Clique na imagem e acesse pelo Goole Maps.
Mapa das chuvas. Clique na imagem e acesse pelo Goole Maps.

India – Eleições 2009
As eleições parlamentares na Índia foram monitoradas pelo site Vote Report India (votereport.in). Os usuários informavam casos de violações do código eleitoral por meio de mensagens SMS, e-mail ou no próprio site. Todos os dados podem ser visualizado em um mapa interativo.

Vote Report. Clique na imagem para acessar o site.
Vote Report. Clique na imagem para acessar o site.


Mapa coletivo da gripe H1N1

Mapeamento do avanço da epidemia da gripe H1N1, que ficou popularmente conhecida como gripe suína. Por meio do mapa, rapidamente identificamos as principais regiões de contágio.

Mapa coletivo de Influenza H1N1. Clique para acessar o site.
Mapa coletivo de Influenza H1N1. Clique para acessar o site.

Zimbábue: Eleições 2008
O mapa da violência política que marcou as eleições de 2008 no Zimbábue impressiona. A vitória de Robert Mugabe ocorreu num processo de intimidação e assassinato de opositores. O mapeamento faz parte de uma campanha por liberdade e democracia no site Sokwanele.

Mapa da violência nas eleições do Zimbábue. Clique na imagem para acessar o site.
Mapa da violência nas eleições do Zimbábue. Clique na imagem para acessar o site.

Buracos de Fortaleza
O mapeamento colaborativo dos buracos nas ruas da capital do Ceará foi idealizado por blogueiros cearenses. A mobilização foi feita no Twitter pela tag #buracosfortaleza. O movimento gerou pauta na imprensa e pressionou a Prefeitura municipal a iniciar operação tapa-buracos.

Mapa #buracosfortaleza. Clique na imagem e acesse pelo Goole Maps
Mapa #buracosfortaleza. Clique na imagem e acesse pelo Goole Maps

WikiCrimes
O site WikiCrimes permite o mapeamento de crimes em todas as regiões do Brasil. A atualização dos dados é colaborativa, cada usuário pode realizar notificações. WikiCrimes foi concebido por Vasco Furtado, professor titular da Universidade de Fortaleza.

WikiCrimes. Clique na imagem para acessar o site

WikiCrimes. Clique na imagem para acessar o site

Os links abaixo apresentam dicas de como construir seu próprio mapa:
Tutorial do Google Earth solidário
Dicas de um fuçador

Arquivado como:Sem categoria , , , , , , , , , , , , ,

Tecnologias verdes: a nova fronteira do Conhecimento Livre

Evitar a catástrofe climática é mais importante que preservar os lucros das transnacionais, sustenta o governo brasileiro, na ONU.. Mas há quem lute pelo contrário…

A batalha pela garantia da livre circulação dos conhecimentos está prestes a entrar num novo terreno. Artigo publicado ontem (1/6) pelo cientista político norte-americano Mark Weisbrot, no TheGuardian (leia em nosso clipe, ou em tradução automática), revela que o Brasil, junto com Índia e China, pedirá à ONU que autorize o licenciamento, sem pagamento de royalties, das tecnologias verdes. A medida sofre oposição de um cartel de transnacionais liderado por General Electric, Microsoft e Sunrise Solar. Extremamente reveladora, a disputa pode provocar, também, um saudável conflito entre as Nações Unidas e a Organização Mundial do Comércio (OMC).

O pano de fundo da polêmica, conta Weisbrot, são as negociações em torno do acordo internacional que sucederá o Protocolo de Kioto. Para que seja bem-sucedido, o novo esforço de reduzição das emissões de gases do efeito-estufa deve cobrar medidas anti-poluidoras também dos países do Sul do planeta, poupados até agora. Parece justificado. A China superou os Estados Unidos e se tornou, no ano passado, o país que mais contribui para o aquecimento global. O Brasil, embora bem atrás, é responsável pela vergonhosa devastação da floresta amazônica, quase sempre na forma de queimadas.

Em conjunto com a Índia, os governos dos dois países estão reivindicando uma contrapartida, sempre segundo Weisbrot. Aceitam abrir mão da imunidade que reivindicavam até há pouco. Mas querem que a ONU (onde se dão as negociações sobre redução das emissões) os autorize a utilizar, sem pagar royalties, tecnologias que tornam possível emitir menos. Servem-se de um precedente: a decisão da OMC que permitiu, em 2001, a produção de medicamentos genéricos em caso de emergência sanitária.

A reação vem a galope. Ontem mesmo, revelou o artigo, um cartel de grandes empresas lançaria, em defesa da propriedade intelecutal sobre o verde, uma coalizão denominada Aliança pela Inovação, Desenvolvimento e Emprego. A sigla do grupo é Idea (de Innovation, Development and Emplyment Alliance), o que disparou a ironia de Weisbrot: “É preciso admirar a pegada orwelliana dos consultores de marketing dessa gente”. O objetivo central da “Idea” é evitar que a ONU reivindique autoridade sobre o tema. As grandes corporações sempre preferiram a OMC, muito mais sensível à ideologia do “livre” comércio que aos direitos humanos.

Numa época em que a produção de conhecimento deslocou-se para o centro da economia, a atitude de Brasil, China e Índia é bem-vinda e merece apoio. Inclusive porque contribui para isolar, no plano interno, os que querem restringir a circulação de outras formas de saber, tão importantes quanto as tecnologias verdes…

Arquivado como:Sem categoria , , , , , , ,

Os estertores da GM e a inércia social

Acima do esplendor, a tempestade

Acima do esplendor, a tempestade

Injeção de 60 bilhões de dólares em empresa sem futuro, atuando num setor que produz devastação, ajuda a enxergar um dos grandes obstáculos à existência de sociedades não-alienadas

Num artigo melancólico, publicado ontem no Financial Times e reproduzido hoje na Folha (leia no clip de hoje), Robert Reich, ex-secrerário do Trabalho dos EUA, analisa a estatização da General Motors (GM) pelos governos dos EUA e Canadá, revelando que ela era ao mesmo tempo desastrosa e inevitável.

Em sua tentativa desesperada de salvar a empresa, conta Reich, Washington injetará nela US$ 50 bi; Toronto, mais US$ 9,5 bi. Juntos, os dois Estados passarão a deter 72,5% do capital da GM, tendo como sócio o sindicato UAW (17,5% das ações). Mas o que à primeira vista seria o controle de uma mega-empresa pela sociedade e seus assalariados tem sentido fúnebre. Os governos dos EUA e Canadá declaram que querem revender a empresa assim que possível. A reestruturação, que começará imediatamente, vai convertê-la, na melhor das hipóteses, numa pálida sombra do que foi. A GM fechará doze fábricas, em seu país de origem. Abrirá mão de sua unidade européia (a Opel, na Alemanha). Não se sabe se manterá as posições na América Latina (inclusive Brasil) e Ásia. Venderá ou abandonará quatro de suas marcas. Demitirá ao menos 21 mil empregados, e reduzirá direitos trabalhistas dos que permanecerem. Espera-se que, após este radical enxugamento, passe a responder por não mais de 20% das vendas de automóveis nos EUA — contra mais de 50%, há cerca de três décadas.

A presença estatal em sua direção, explica Reich, infelizmente não levará a GM a produzir uma nova geração carros verdes –  já viáveis, do ponto de vista tecnológico. Persiste, no Congresso e no governo, a opinião de que não cabe à sociedade “dizer à indústria que automóveis produzir”. E, ainda que o enxugamento seja bem-sucedido, (muitos analistas avaliam que a GM sucumbirá antes disso), ninguém aposta que os Tesouros dos EUA e do Canadá ficarão próximos de recuperar o que estão investindo agora, ao revender a empresa.

Haveria, prossegue o ex-secretário, diversas maneiras de empregar melhor os US$ 60 bilhões. Eles poderiam estimular, por exemplo, a ativação de setores mais limpos e promissores na região do meio-oeste norte-americano, onde se concentra a indústria automobilística em crise. Ou ser investidos em pesquisa e geração de energias renováveis ou transporte público — igualmente capazes de gerar ocupações e atividade econômica. Parte dos recursos financiaria medidas paliativas e provisórias, como treinamento dos demitidos e seguro-desemprego. Se há alternativas tão mais atraentes a longo prazo, de quem é, então, a culpa por não serem adotadas? Do presidente Obama?

CONSERVADORISMO E ALTERNATIVAS: O artigo de Reich tem o mérito de buscar uma explicação mais profunda. “Os políticos não ousam falar em reestruturação industrial porque o público não quer ouvir esta conversa”, diz o ex-secretário. Há um sentimento geral de que a injeção de dinheiro na empresa moribunda é desperdício. Mas prevalece, acima dele, a inércia social: a dor da mudança e o medo das incertezas e desconhecidos necessariamente associados a ela.

As centenas de milhares de trabalhadores da GM que acreditam conservar seus empregos (ao menos por enquanto) preferem não olhar para o futuro sombrio da empresa, nem para os resultados ambientais de sua atividade. As cidades onde há fábricas da companhia também não querem perdê-las, se isso significar desemprego, marginalização, queda do dinamismo econômico. Embora tenha surgido uma consciência ambiental e social planetária, um enorme obstáculo permanece no caminho. Como transformar este sentimento em ação, se a grande maioria dos seres humanos precisa comprar sua vida todos os dias — e é obrigada, para tanto, a vender seu trabalho, nas condições que for possível? Como pedir a alguém que deixe o emprego numa fábrica de armas, ou numa montadora de automóveis, sem oferecer uma forma alternativa de participação no conjunto das riquezas produzidas pela sociedade?

O desperdício de 60 bilhões de dólares na GM pode ser, nesse sentido, um alerta necessário. Ele ressalta a importância de construir, além da crítica às sociedades governadas pelos mercados, respostas positivas e anti-sistêmicas. No caso da crise, a denúncia das montanhas de dinheiro despejadas pelos Estados em favor do sistema financeiro, ou de empresas como a GM, é sempre bem-vinda — mas muito insuficiente.

O passo novo estaria em ressaltar, por exemplo, que em um ano de crise os Estados dispenderam cerca de 3 trilhões de dólares para socorrer bancos quebrados. E em propor que ao menos a mesma soma seja empregada para assegurar, a todos os habitantes do planeta, uma renda básica universal.Significaria, na ponta do lápis, assegurar 1,17 dólares a cada um dos quase 7 bilhões de seres humanos. Permitiria dobrar os rendimentos de 1 bilhão de pessoas  (que sobrevivem com menos de 1 dólar por dia) e elevar em 50% o poder aquisitivo de 2,7 bilhões (que ganham menos de 2 dólares diários).

Arquivado como:Sem categoria , , , , ,

O clip de hoje

Um dos projetos de Outras Palavras: criar o clip coletivo, agregador comum de notícias garimpadas e destacadas pelos participantes do blog

Na edição de hoje, entre outros, textos sobre A Agonia da GM, O dólar e o yuan, Ambiente & Bens Comuns, os gerenciadores de projetos na internet, a (nova) queda na circulação dos jornais, a rodada de negociações para redução de emissões de CO2 e a idéia de transformar as tecnologias verdes em bens comuns. Aqui (em português e inglês)

Arquivado como:2009-06, Clip , , , , , , , , , ,

O lançamento do Waves e o papel do Google

Waves: Emêio, Wiki, comunicador instantâneo e rede social integrados

Waves: Emêio, Wiki, comunicador instantâneo e rede social integrados

Nova plataforma, construída em código aberto, pode multiplicar a força da colaboração  em rede. Mas o que é a empresa que o criou: um monopólio em construção? Um dínamo de relações pós-capitalistas? As duas coisas ao mesmo tempo?

O mundo da comunicação digital foi surpreendido, na terça-feira passada (26/5) pelo pré-lançamento do Google Waves, durante uma conferência entre a empresa e centenas de desenvolvedores autônomos, em San Francisco (EUA). Embora ainda não disponível ao público (fala-se que isso ocorrerá ainda este ano), seus criadores o apresentaram em funcionamento real. E o que se viu foi algo que pode revolucionar a comunicação — e principalmente a colaboração — pessoais via internet.

Waves agrega, numa única plataforma emêio, microblog (como o Twitter), rede social (como Facebook ou Orkut), wiki (para construção coletiva de documentos) e comunicador instantâneo (como jabber, gtalk ou msn). Reunidas, estas funções ganham enorme sinergia. Um grupo de pessoas trabalhando em torno de um projeto, em diferentes pontos de uma cidade ou do mundo, poderá trocar informações quase como se estivesse numa mesma sala. Além de estabelecer diálogos, será possível compartilhar documentos, apresentar projetos e mapas; redigir ou concluir textos planilhas em rede; convidar instantaneamente novos participantes. As comunicações podem ser instantâneas (como numa reunião) ou assincrônicas (para que cada participante contribua no momento que lher for mais favorável). Há tradução simultânea do que se tecla (padrão Google Translator). Ao contrário do que ocorre no emêio (ou no Twitter), as falas ou trocas que fazem parte de um mesmo diálogo aparecem agregadas, como numa conversa real. É possível, a qualquer momento, recuperar todo o histórico. Serve para que um grupo de amigos planeje uma viagem, ou para realizar um encontro multilíngue preparatório ao próximo Fórum Social Mundial.

CÓDIGO ABERTO E ROBÔS: Três características anunciadas no dia 26 tornaram o lançamento ainda mais atraente do ponto de vista, digamos, político. Tem a ver com a eterna promessa da Google, de trabalhar colaborativamente. 1) O Waves poderá ser embutido (como se faz com um vídeo do YouTube) num site, blog ou rede social qualquer. Os participantes de Outras Palavras poderiam criar, dentro do próprio blog, diálogos, trocas de documentos ou textos coletivos sobre os temas que desejarem. 2) O sistema estará aberto para incorporação de complementos produzidos por criadores independentes. Além dos já conhecidos “gadgets” (que permitem, or exemplo, informações sobre o tempo, no local em que um blog é produzidos), também robôs. Um robô instalado num determinado diálogo pode funcionar como um participante cibernético. Programado, por exemplo, para recolher todas as novas notícias sobre o tema debatido pelos demais membros da conversa… 3) A própria plataforma, anunciou-se, terá código aberto. Se confirmado, isso permitirá que desenvolvedores autônomos copiem o Waves, façam as modificações que desejarem, instalem num servidor qualquer e ofereçam o novo sistema a suas próprias redes.

O pré-lançamento do Waves convida a uma discussão cada vez mais necessária. Quais os papéis representados pela Google, num mundo em que a internet é e será cada vez mais onipresente. Em geral, as opiniões são polarizadas. Algumas destacam o enorme risco de concentrar tantas informações numa única empresa, candidata natural a Big Brother. Outras ressaltam que (ao contrário da Microsoft e do paradigma que prevalecia na internet durante a fase “pontocom”) o modelo de negócios da Google (um dos potores da etapa 2.0) a obriga a tornar tudo grátis (ou seja, desmercantilizar) para ganhar dinheiro.

Uma discussão em profundidade permitiria, inclusive, projetar cenários e pensar em alternativas. Sérgio Amadeu, um dos grandes batalhadores pela internet livre no Brasil, costuma lembrar que “estruturas geram lógicas”. Ele provoca: “Pense na hipótese da Google adquirida na bolsa por uma corporação maior, interessada em privatizar a net”. Qual seria uma resposta preventiva? Seria possível pensar, como sugere André Stangl, da Eletrocooperativa, numa “Google tombada” — uma empresa pública não-estatal, que funcionasse ainda mais como rede sinérgica de desenvolvedores autônomos?

MAIS:

No clip de hoje, dois excelentes textos (em inglês), publicados nas revistas eletrônicas Mashable e ZDNet apresentam, em detalhes, o Waves.

Arquivado como:Sem categoria , , , , , ,

Para acompanhar a Conferência Nacional de Comunicação

Uma lista de sites e um desafio: acompanhar coletivamente as informações e análises preparatórias ao evento

Convocada para 1º a 3 dezembro (em Brasília), pela presidência da República, a I Conferência Nacional de Comunicação deveria ser acompanhada com atenção pela sociedade civil organizada e por quem está povoando a blogosfera. Foi marcada após intensa resistência de um setor acostumado a privilégios. Só saiu depois que mais de 50 conferências nacionais, sobre inúmeros temas, foram realizadas, nos últimos sete anos. Mas terminará ocorrendo num momento favorável: o oligopólio das mídias está enfraquecido por queda das tiragens, audiências e credibilidade; e a comunicação compartilhada ganha atenção e respeito entre parcelas cada vez mais largas população.

Como entrar neste debate? O levantamento abaixo, preparardo por Carolina Gutierrez, da equipe de Outras Palavras,traz uma primeira relação de fontes que estão produzindo material sobre o tema. A relação inclui sites que se dedicam ao Direito à Comunicação, mas também (novidade animadora) Redes Sociais com dezenas de participantes, que se articulam para se manter informados e qualificar sua participação nos trabalhos – na Bahia, Paraíba, Rio Grande do Sul e Baixada Santista (SP).

O blog sugere: que tal criar também aqui, e em sintonia com estas iniciativas, um acompanhamento coletivo da Conferência e seus preparativos? Para começar a leitura, quatro links que ajudam a situar a importância da Conferência e seu cenário atual; em seguida, o levantamento de Carolina Gutierrez:

Confronto Inédito, olho no olho
(Carlos Castilho, Observatório da Imprensa)

Os “nomes” da Conferência da Comunicação
(Altamiro Borges, Vermelho)

Comissão da Conferência faz primeira reunião nesta segunda
(Lucia Berbert, Tele.Sintese / Observatório do Direito à Comunicação)

A Conferência Nacional de Comunicação: desafios e limites
(Eliana Tavares, Alai)

Fontes

Tipo

URL

Atualização (sobre a Conferência)

Conteúdo (sobre a Conferência)

Observatório do Direito à Comunicação

site

http://www.direitoacomunicacao.org.br/novo

diária

notícias gerais / notícias CNC,

Observatório da Imprensa

site

http://www.observatoriodaimprensa.com.br

diária

notícias gerais sobre comunicação / notícias CNC

Bahia na Conferência Nacional de Comunicação

rede social / ning

http://cpc-ba.ning.com/

diária

notícias gerais / notícias CNC

Comissão RS Mobilização 1ª Conferência Nacional de Comunicação

blog

http://rsproconferencia.blogspot.com/

quase diária

notícias CNC, sobretudo, preparativos locais

Baixada Santista Pró-Conferência

rede social / ning

http://conferenciacombs.ning.com/

diária

notícias gerais sobre comunicação / notícias CNC

Movimento Pró-Conferência

site

http://www.proconferencia.com.br/

eventual

notícias, documentos sobre CNC

Vermelho Portal

site

http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=56970

diária

notícias gerais / notícias CNC

Conferência de Comunicação da Paraíba

blog

http://proconferenciacomunicapb.wordpress.com/

quase diária

notícias gerais sobre comunicação, sobretudo, local/ notícias CNC

Adital

site

http://www.adital.com.br/SITE/noticia.asp?lang=PT&cod=38710

última atualização: 15/05/2009

notícias gerais / notícias CNC

Fórum Nacional pela Democratização da comunicação

site

http://www.fndc.org.br/

quase diária

notícias gerais sobre comunicação / documentos da CNC

Centro de Mídia Independente

site

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/05/446227.shtml

última atualização: 05/05/2009

notícias gerais / notícias CNC

Sérgio Amadeu

blog

http://samadeu.blogspot.com/2009/02/conferencia-nacional-das-comunicacoes.html

diária

notícias gerais / notícias CNC

Associação Brasileira de Televisão Universitária

site

http://www.abtu.org.br/noticias/imprensa/341

diária

notícias gerais sobre comunicação / notícias CNC

Interlegis

site / comunidade

http://www.interlegis.gov.br/Members/brendaortiz/plenaria-da-comissao-pro-conferencia-nacional-de-comunicacao

quase diária

legislativo e CNC

Ministério das Comunicações

site

http://www.idbrasil.gov.br/noticias/news_item.2009-04-17.8774723354

diária

notícias gerais sobre comunicação / notícias CNC

Soy Loco Por Ti

blog / Ponto de Cultura

http://blog.soylocoporti.org.br/tag/democratizacao-da-comunicacao/

última atualização: 03/05/2009

notícias gerais / notícias CNC

Rede Mocoronga de Comunicação Popular

site / Ponto de midia livre

http://redemocoronga.org.br/category/comunicacao-comunitaria/

última atualização: 19/05/2009

notícias gerais sobre comunicação / notícias CNC

América Latina em Movimento

site

http://alainet.org/active/30487&lang=pt

quase diária

notícias gerais / notícias CNC

Portal Nassif

rede social / ning

http://blogln.ning.com/profile/EmilioJoseLemosdeLima

diária

notícias sobretudo, no blog de Emilio José

Arquivado como:Sem categoria , , , ,

Pedro Dória escreve (e fala) sobre ciberjornalismo

Em breve, o fim do jornal como produto “íntegro”. E que sobra aos editores, quando isso acontecer?

Pioneiro na internet brasileira, prossivelmente o primeiro blogueiro profissional do país, o jornalista Pedro Dória está passando uma temporada na Califórnia, graças a uma bolsa da Universidade de Stanford. Suas postagens sobre ciberjornalismo são uma fonte permanente de informação e idéias. Entre as mais recentes estão vídeos e textos criados a partir de palestras com o jornalista Richard Gingras, editor da revista Salon.

Nelas, Dória argumenta, com base em Gingras, que a internet 2.0 está dissolvendo a noção de que os jornais (ou revistas) são um produto acabado, com começo, meio e fim. Capa, manchete, cadernos e seções, como parte de um conjunto único, estão sumindo simplesmente porque os própris leitores fazem suas escolhas, recolhendo de cada produto jornalístico (comercial ou não) o que mais lhes interessa. É mais um sinal de que o poder dos editores está se relativizando, e deveria se concentrar na orientação de matérias — muito mais que na concepção de jornais “inteiros”.

Para acessar os posts de Dória, clique aqui

Arquivado como:Sem categoria , , , , ,

As boas novidades no ciberativismo

Change.org: uma das novas ferramentas

Change.org: uma das novas ferramentas

Com o declínio da crença nos mercados, florescem os sites e redes dedicados ao engajamento em mudanças sociais e ambientais. Não haveria, num país de múltiplas iniciativas como o Brasil, espaço para algo semelhante?

O aprofundamento da crise dos jornais (começando pelos países ricos) tem levado muitos analistas a temer pelo futuro da democracia. Nesta onda estão, além dos conservadores e dos partidários da mercantilização da mídia, alguns pensadores à esquerda. Eles temem que, como a marca principal da internet é a fragmentação, não haja substitutos para o papel de espaço público que a mídia convencional desempenhou, entre os séculos 18 e 20. Surgiu recentemente, porém, mais um desmetido a este receio. Estão se multiplicando, fortalecendo e popularizando os sites colaborativos dedicados a alertar para problemas sociais ou ambientais — e promover mobilização em torno deles.

O pioneiro nesta estrada é provavelmente o Global Voices (português, inglês). Criado em 2005, por iniciativa de um jornalista e um especialista em internet que atuavam no Centro Berkman, da Universidade de Harvard, já tem versões em dezesseis idiomas. A idéia central é precisamente construir comunicação que se alimente do caos da internet, mas vá além dele. “Com milhões de pessoas blogando ao redor do planeta, como você evita ser oprimido pelo excesso de informação?”, indaga-se, na página de apresentação do projeto. A contribuição do Global Voices foi articular, a partir da blogosfera, uma rede de autores, tradutores e editores que visita milhares de blogs e produz diariamente, em cada idioma, uma seleção editada de posts. Além das manchetes do dia, é possível lançar, em cada idioma, pesquisas por país, região e tema. A abrangência temática é muito diversa, mas há forte concentração em assuntos como defesa liberdade de expressão, acesso à internet e combate à pobreza.

Mais recente (2008), contraditório e intrigante é o Take Part. O site é clean, as imagens da home provocam impacto, há a possibilidade atraente de fazer parte da rede e enviar suas próprias histórias. O leque de temas é mais vasto. “Industrialização da cadeia alimentar” e “conflitos no Oriente Médio”, por exemplo, estão visíveis, logo na entrada. Um menu saliente, no espaço mais atraente da home, sugere “postar”, ou envolver-se em “temas”, “ações” e “grupos”. Um olhar mais profundo sugere, porém, que talvez Take Part seja editado demais na forma (destacar “boas” fotos e textos é ótimo, mas é difícil chegar ao que foi postado por “gente comum”), e de menos no conteúdo (um emblema da ambiguidade é a foto que abre o tema “conflitos no Oriente Médio…).

Com enfoques distintos, mas sempre com algum apelo à mobilização social, dezenas de iniciativas estão florescendo. Não seria má idéia escrever, colaborativamente, breves descrições sobre cada uma, para explorar pontos positivos e vulnerabilidades — quem sabe com vistas à construção de algo em português. Uma novidade adicional é o surgimento, recente, de espaços que agregam as informações propostas nos diversos sites e redes de ciberativismo. Uma busca em Social Actions, por exemplo, permite acessar informações sobre campanhas postadas em mais de 50 sites.

Social Actions articula, além disso, uma comunidade de desenvolvedores que já criou cerca de vinte aplicativos para internet. O objetivo destas ferramentas é transformar a busca de campanhas em algo que pode ser feito enquanto se lê uma notícia ou um post. Um plugin para Firefox permite que o navegador acesse, a qualquer tempo, uma base de dados atualizada com informações provenientes dos mais de 50 sites. Um complemento para o WordPress cria, ao pé de cada post em blog construído nessa plataforma, links para as campanhas relacionadas ao tema do texto. Está em desenvolvimento (mas já operante) um aditivo ao Ubiquity, uma ferramenta revolucionária do Firefox. Com ele, você acessa, a partir de qualquer palavra, publiqucada em qualquer site, as ações relacionadas. Basta iluminar os termos desejados (“financial crisis”, digamos) teclar <control+barra de espaços> e em seguida digitar, na janela que se abre, “social-actions”.

Para quem acredita (como o autor deste post), na necessidade de ações que questionem a fundo as relações capitalistas, um exame das campanhas postadas em todas estas fontes pode ser, à primeira vista, estranho Boa parte das iniciativas diz respeito a problemas muito particulares ou locais. Um pesquisador busca recursos para continuar a observação de uma comunidade de gorilas, num trecho de floresta em que estão criticamente ameaçados, no norte do Congo. Uma ONG educacional apela, no nordeste da Tailândia, por voluntários que dêem aulas de artes e redação criativa para crianças.

Esta mesma presença do particularismo caracteriza, porém, a grande maioria das oficinas nos Fóruns Sociais Mundiais. É, provavelmente, um aprendizado necessário. Num momento em que setores vastos da opinião pública estão deixando o longo sono da crença nas “soluções de mercado”, e (re)descobrem a aventura de enxergar criticamente as relações sociais, é natural que seu olhar se fixe nos problemas e injustiças mais próximas. Para abrir novos horizontes, são essenciais a experiência e o diálogo. Além de ajudarem a narrar (e conhecer) o que a mídia de mercado não conta, os sites e redes de ciberativismo são um poderosíssimo acelerador destes processo.

Arquivado como:Sem categoria , , , ,

Crise: a delicada recuperação dos “emergentes”

Entre o alívio e a apreensão (Foto: Kasher)

Entre o alívio e a apreensão (Foto: Kasher)

China, Brasil e Índia estão menos sujeitos à tempestade global. Ação ousada dos Estados contrariou dogmas neoliberais e protegeu os países, admite “The Economist”. Mas nem todos os riscos foram afastados

A edição desta semana da revista britânica The Economist traz uma interessante análise sobre a nova reviravolta na situação das principais “economias emergentes” — China, Índia e Brasil, em primeiro lugar. Há um ano e meio, quando ficou claro que os Estados Unidos mergulhariam numa recessão grave e duradoura, falou-se no “desacoplamento”. Considerava-se que certos países do Sul do planeta haviam reunido condições para evitar o contágio. No final do ano passado, acreditou-se no contrário. Súbitas ondas de demissão, e o recuo abrupto do PIB, pareciam revelar que o redemoinho da crise era forte demais para poupar qualquer nação. Agora, retorna a impressão de uma tranquilidade relativa. Na China, a economia deverá crescer 8%. No Brasil, embora em termos mais modestos, a produção dá sinais de vida e as contratações voltaram.

Por que? Segundo a revista, a onda forte de pessimismo, entre novembro e março, tinha mais a ver com um problema financeiro (o pânico nos mercados de crédito) que com uma dependência estrutural do Sul em relação ao Norte. A China, nota The Economist, já exporta mais para os países “em desenvolvimento” que para os ricos. E seu crescimento acaba de fazer dela o maior importador de produtos brasileiros, à frente dos Estados Unidos.

Há dois fenômenos importantes, por trás destes movimentos. O primeiro, a própria matéria destaca — apesar de seu passado notoriamente neoliberal. Estão se safando os “emergentes” que adotaram políticas opostas a tudo o que  as receitas ortodoxas recomendam. Ao invés de corte drástico de investimentos (aqui, os célebres “ajustes fiscais” de 1998 e 2002), os Estados do Brasil, ìndia e China partiram para medidas corajosas de reativação das respectivas economias. Foi isso que evitou o pior. A segunda hipótese (não formulada pela revista) precisa ser examinada em mais profundidade. Terá o antes chamado “terceiro mundo” reunido densidade econômica e laços entre si mesmo para deixar a condição de uma área econômica de comportamento “reflexo” — isto é, subordinado e dependente?

Falta muito para saber. Primeiro, porque entre os próporios países “em desenvolvimento” a situação é muito desigual. No Leste Europeu, a região que se manteve mais fielmente aferrada aos dogmas neoliberais, a situação é dramática (naturalmente, a mídia brasileira faz silêncio). Estima-se que a produção recue, este ano, 3,5% na Croácia, 4,1% na Romênia, 8% na Ucrânia, 10% na Estônia e Lituânia, 12% na Letônia. Mas haverá dramas também em países que atrelaram muito seu comércio aos EUA (como o México), ou cujas exportações dependem quase apenas de produtos primários (como a Venezuela e a Argentina).

Além disso, uma variável essencial da equação permanece incógnita. Até mesmo China, Índia e Brasil dependeram, para respirar, do alívio nos mercados internacionais de crédito. É algo que começou a se manifestar no segundo trimestre deste ano, depois de os Bancos Centrais dos países ricos despejarem um dilúvio de dinheiro no sistema. Ninguém sabe ainda nem se os efeitos serão duradouros, nem até quando as comportas poderão permancer abertas. Se as respostas a estas dúvidas forem negativas, também os “emergentes” bem-sucedidos terão de encontrar outras fórmulas, para manter o pescoço sobre a água.

Arquivado como:Sem categoria , , , , , ,

Os planos de Funes para El Salvador

Em entrevista à New America Media, o novo presidente defende a recuperação do Estado e redução das desigualdades para amenizar problemas centrais como imigração e violência

El Salvador tornou-se, domingo, ao eleger o jornalista salvadorenho Maurício Funes, o mais novo país latino-americano à esquerda. Seu partido, Frente Farabundo Martí Frente Nacional de Libertação (FMLN), é presente nas lutas sociais desde os anos 30, entre governos que se opõe em diferentes graus ao domínio secular das elites.

Funes, antigo correspondente da CNN, tem linha moderada. Entrou no partido em 2008. Seu vice, Salvador Sanchez, foi candidato anteriormente e é do grupo dos socialistas revolucionários, ala mais radical do partido.

A disputa foi intensa, foram 51,2% votos contra 47%. A oposição usou o “perigo vermelho” como arma de campanha. O slogan “Eu não vou entregar meu país”, de Rodrigo Ávila, do Arena, alegava riscos do “chavismo”. Não faltaram acusações, com respaldo da mídia conservadora. De acordo com o grupo de pesquisas Funde, o Arena gastou quatro vezes mais em publicidade que o FMLN.

Além disso, o Arena tentou persuadir dois outros candidados a desistir em seu favor, de acordo com a revista The Economist.

O desafio de Funes será imenso; receberá um Estado extremamente empobrecido, numa conjuntura adversa. A estreita relação econômica com os Estados Unidos torna o país ainda mais vulnerável à crise financeira global.

Nos últimos trinta anos, quase um quarto dos salvadorenhos imigraram em busca de trabalho e as remessas estrangeiras correspondem a 17% do PIB nacional. Os investimentos estrangeiros significavam 3%, em 2005.

Em entrevista concedida à New America Media, o presidente-eleito expôs seus planos para o novo governo. (Veja o vídeo)

“Vamos mudar nossa forma de fazer política, interromper uma economia que dá privilégios aos privilegiados”. “Colocaremos o governo e a estrutura do Estado a serviço do povo salvadorenho – em sua totalidade – mas, fundamentalmente, da grande maioria oprimida e excluída do desenvolvimento social e econômico do país. Não só nos últimos vinte anos, mas há mais de 200 essas pessoas não tiveram a possibilidade de participar das políticas públicas. O governo que vou criar vai dar a eles o papel de protagonistas que nunca tiveram.”

Ao mesmo tempo, procurou acenar para os EUA e para cerca de 1.5 milhão de salvadorenhos que vivem no país, suas perspectivas:

“O fato de buscarmos reconstruir as instituições democráticas – dando força à Constituição e fazendo de El Salvador um Estado democrático, que respeita o vigor da lei – é a melhor garantia para os Estados Unidos de que vamos reduzir o fluxo de imigração”.

Sobre o radicalismo de esquerda, foi claro: “A primeira mensagem que gostaria de mandar a Obama é que não buscarei alianças ou acordos com nenhum chefe de Estado da parte sul do continente que possa estragar minha relação com os Estados Unidos”.

Em 2006, El Salvador obteve o maior índice de homicídios do mundo, segundo estatísticas oficiais (ONU). A violência urbana permanece alarmante; cerca de 40% vive abaixo do nível de pobreza. Parte da esfera geopolítica norte-americana na América Central, a presença militar transformou o país em teatro da Guerra Fria. Mais tarde, o conflito culminou em uma guerra civil, que foi somente resolvida em 1992.

O primeiro grande levante das guerrilhas no país aconteceu em 32. Foi organizado por indígenas ruralistas, em cultura de café. A reação dizimou dezenas de guerrilheiros em um episódio que ficou conhecido como La Matanza.

Arquivado como:1 , , , , , , , ,

Páginas

Agenda

Novembro 2009
S T Q Q S S D
« Jun    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

RSS Conferência Nacional de Comunicação